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'Desenrola' e curta 'O bolo' vencem festival de cinema em NY

'Desenrola' e curta 'O bolo' vencem festival de cinema em NY

Atualizado: Segunda-feira, 20 Junho de 2011 as 11:57

O longa "Desenrola", que teve direção de Rosane Svartman, e o curta "O bolo", dirigido por Robert Guimarães e produzido por Isabella Nicolas, foram os vencedores da 9ª Edição do Cine Fest Petrobras - NY e receberam o troféu Lentes de Cristal.

Os filmes foram escolhidos por juri popular. Os votos foram depositados em urnas após as sessões, que segundo os organizadores, este ano tiveram salas cheias, em média 90% de ocupação.

Como já vem sendo uma tradição do festival, o encerramento foi ao ar livre, no Summer Stage, do Central Park. O sol e o céu azul formaram um bom cenário para animar ainda mais a plateia, na maioria brasileiros e americanos, que aplaudiu bastante os artistas participantes da competição.

A atriz Fabiula Nascimento, que faz o papel de uma empregada doméstica em "O bolo" e a produtora Isabella NIcolas festejaram muito o anúncio do resultado. A produtora lembrou que a atriz, durante as filmagens, conseguiu cumprir o compromisso apesar de na época estar fazendo vários trabalhos ao mesmo tempo.

Em entrevista ao G1, Fabiula lembrou o quanto foi difícil organizar o tempo, mas acha que valeu a pena." Estava filmando, gravando na Globo e com Teatro. Foi uma loucura. Os espaços que sobravam a gente aproveitava para filmar. Levamos cinco dias com a ajuda dos amigos", explicou.

Para Fabiula, é muito importante a valorização que os curtas estão atingindo dentro do mercado de cinema. " O curta sempre existiu, ainda hoje temos poucas mostras, mas eu acredito cada vez mais no curta-metragem como aprendizagem. É de total valia" , defendeu.

Esta foi a primeira vez que ela veio a Nova York e para completar recebeu um prêmio. "Está sendo um dia inesquecível na minha vida, Mart'nália, Central Park, sol. Eu estava com viagem marcada para Buenos Aires e o vulcão do Chile não me permitiu. Fiz um plano B e vim para Nova York, justamente na época do Festival e em que estava sendo exibido o curta. O destino não me enganou dessa vez. Ele me trouxe para cá para levar o prêmio para O Brasil. Fiquei muito feliz ", disse animada.

Rosane[foto] explicou que o filme levou cinco anos para ficar pronto e passou por diversos processos. "Começou com uma série de documentários com adolescentes em que os personagens estavam em redes sociais e depois fomos transformando os roteiros levando em discussões em 15 escolas do Rio e de São Paulo. Foram cinco anos deliciosos de vários produtos culturais e de ir em uma direção para retratar o universo adolescente. Acho que uma das grandes ambições do filme é transportar quem não é adolescente para este universo", analisou.

Para Adriana Dutra, uma das diretoras do Festival, o crescimento do público a cada edição já está fazendo os organizadores pensarem em uma ampliação. Atualmente os filmes são exibidos nos cinemas Tribeca, em Manhattan e pode ser que no próximo ano haja salas de exibição também no Brooklyn. "Hoje é um festival da cidade. O público é local. Essa diversidade de Nova York está presente nas salas de cinema. Estamos muito felizes. A nossa intenção é ir para o Brooklyn. Estamos nos organizando e estamos vendo dois ou três lugares. Mas ainda vamos decidir", adiantou a diretora.

Para o escritor Marcelo Rubens Paiva, autor do livro que baseou o filme "Malu de bicicleta", um dos longas exibidos na competição, é um orgulho poder participar porque a escolha dos filmes é muito significativa. "Essa ponte é muito importante para a cultura brasileira. Ter uma portinha de entrada em um mercado difícil, porque a barreira da língua sempre dificultou muito para o grande público não só no cinema, mas também na literatura brasileira. É uma chance que a gente tem de encurtar essa distância", concluiu.

Na segunda parte da cerimônia o público ficou ainda mais animado. A temperatura que já estava elevada por causa do sol, subiu com a entrada da cantora Mart'nália no palco do Summer Stage. Durante mais de uma hora, ela cantou, dançou e levou a plateia junto com diversos sucessos e alguns sambas enredo, entre eles "Kizomba" (Vila Isabel) e "É hoje" (União da Ilha).

E até uma bandeira da Vila Isabel, escola de samba da cantora, estava entre o público. Regina da Vila, que mora há 34 anos em Nova York, fez questão de ir ver a cantora que já foi sua vizinha.

"Eu sou de Vila Isabel, meu esposo é o Vaguinho do Cavaco. Eu amo a Mart'nália. Nós fomos criadas juntas na rua Barão de Cotegipe. É uma alegria ver a Mart'nália aqui em Nova York", disse Regina que além de levar a bandeira e conseguir um lugar bem em frente ao palco, foi vestida com uma camiseta da Vila Isabel.

Depois do show foi exibido o documentário "Elza", que mostra a vida da cantora Elza Soares. O filme foi dirigido por Izabel Jaguaribe e Ernesto Baldan.

Por: Cristina Indio do Brasil

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