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"Desmatadores não podem ser anistiados", diz Sarney

"Desmatadores não podem ser anistiados", diz Sarney

Atualizado: Segunda-feira, 30 Maio de 2011 as 4:58

Em uma demonstração de sintonia com o governo da presidente Dilma Rousseff, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou nesta segunda-feira (30) que é contra a concessão de anistia a desmatadores, um dos pontos polêmicos no texto do novo Código Florestal que deve começar a tramitar na Casa nesta semana. Para Sarney, "cada vez mais é preciso preservar as florestas".

"Eu acho que vamos ter tempo necessário para que isso [anistia a desmatadores] possa ser discutido, sem aquela premência do tempo que teve na Câmara. Pessoalmente, acho que os desmatadores não podem ser anistiados. Temos que cada vez mais preservar as nossas florestas que são muito importantes para o nosso país", afirmou Sarney.

A anistia a desmatadores é objeto de conflito entre líderes ambientalistas e ruralistas na discussão sobre o Código Florestal, aprovado pela Câmara na madrugada da última quarta (25). Os deputados votaram o texto-base do Código Florestal e aprovaram a emenda 164. O resultado da votação estremeceu as relações entre governo e base aliada. Líderes de PT e PMDB, os dois maiores partidos da base, discutiram no plenário.

Levantamento divulgado pelo G1 no fim de semana mostra que a anistia a desmatadores, um dos temas que mais contraria a presidente Dilma Rousseff na discussão sobre o Código Florestal, divide os senadores entrevistados entre as últimas quarta (25) e sexta-feira (27).

De 50 senadores, 22 se disseram favoráveis e 20 contrários a anistiar multas aplicadas a produtores rurais que desmataram - oito não responderam a essa questão, uma das três de enquete aplicada pelo G1.

O presidente do Senado comentou ainda a decisão do governo de discutir um plano de emergência para a região da Amazônia, onde quatro pessoas morreram em menos de uma semana em decorrência de conflitos agrários. Sarney defendeu uma ação "enérgica" das autoridades: "A ação dos governos estadual e federal, conjunta, deve ser muito enérgica, uma vez que isso [mortes no campo] representa uma crueldade."

Palocci

Além de falar do Código Florestal, o presidente do Senado também saiu em defesa da aliança que o PMDB mantém com o PT no governo federal. Diante da polêmica envolvendo o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, e o vice-presidente da República, Michel Temer, Sarney afirmou que a democracia é um regime livre, no qual é preciso "harmonizar conflitos".

"A aliança PT com PMDB é uma aliança sólida e temos como articulador dela, o grande avaliador dessa aliança, o ex-presidente Lula. Ele sempre é uma figura predominante dentro das articulações políticas. A democracia é isso. É um regime no qual nós precisamos harmonizar o conflito", analisou Sarney.

Ocupando interinamente a presidência durante a viagem de Dilma Rousseff ao Uruguai, Temer vai reunir a bancada do PMDB no Senado para uma conversa no começo da noite desta segunda. Na pauta do encontro, segundo Sarney, estará a unificação da bancada em torno da votação do Código Florestal e a discussão da polêmica envolvendo a evolução patrimonial do ministro da Casa Civil: "Hoje, vamos uma vez mais unificar o partido. Isso tem sido rotina na atuação do vice-presidente Michel Temer, ele tem procurado organizar o partido para que ele tenha uma ação conjunta."

Questionado sobre a posição dos peemedebistas na discussão da possível convocação de Palocci para depor no Senado e sobre abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para investigar Palocci, Sarney afirmou que a defesa de Palocci "não era uma unanimidade" na bancada, que sempre teve "posições independentes".

"O PMDB é um partido que sempre teve posições independentes. O próprio estatuto do partido assegura que seus filiados tenham posições independentes. Não vou dizer que seja uma unanimidade, mas pelo menos uma unidade que não seja unanimidade o partido vai defender, sem dúvida, o governo da presidente Dilma", afirmou Sarney.

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