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Desnutrição infantil no Amazonas pode ser combatida com alimentos e educação

Desnutrição infantil no Amazonas pode ser combatida com alimentos e educação

Atualizado: Quarta-feira, 22 Outubro de 2008 as 12

Autoridades de saúde do Amazonas estão preocupados com os índices de desnutrição entre as crianças que vivem no estado. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (Susam), 8,5% das crianças menores de cinco anos de idade que moram na capital são consideradas desnutridas quando avaliadas na relação peso e altura. No interior do Amazonas, o índice é maior e atinge 11,5% dos meninos e meninas na mesma faixa etária.  Em todo país, Norte e Nordeste lideram as estatísticas de desnutrição, que está diretamente associada a 50% das mortes de crianças com até cinco anos em todo o mundo.

Para a pediatra e nutróloga do Instituto de Nutrologia do Amazonas, Silvana Benzecry, existe um descompasso entre as riquezas naturais amazônicas e o que pais e responsáveis estão oferecendo às suas crianças, sobretudo até os cinco anos de idade.

"A desnutrição no Amazonas tem sido verificada por causa da inadequação alimentar. Não é que o estado não possua os produtos adequados. O que ocorre é que as nossas crianças não estão consumindo as quantidades necessárias de minerais, vitaminas e proteínas que justifiquem e melhorem o estado nutricional de um modo geral. Elas estão adoecendo exatamente por esse descompasso que precisa ser corrigido urgentemente", disse Benzecry.

De acordo com a nutróloga, o baixo índice de aleitamento materno exclusivo, o consumo precoce de alimentos de baixo valor nutritivo, como os industrializados e os refrigerantes e a chamada "monotonia alimentar", ou seja, repetição dos mesmos alimentos no cardápio diário, contribuem para a desnutrição. Ela lembrou que frutas como a pupunha e o camu-camu - típicas da região amazônica - são menosprezadas em seu potencial nutritivo e, por desconhecimento da população, deixam de ser consumidas e também oferecidas em forma de papinhas e de sucos às crianças a partir dos seis meses de vida. 

"Manaus, por exemplo, possui o quatro maior PIB [Produto Interno Bruto] do país e índices preocupantes de desnutrição entre suas crianças. É preciso ver o que está faltando, já que o estado possui uma riqueza bela e farta de alimentos.  Várias pesquisas feitas no Inpa [Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia] comprovam o potencial nutricional dos nossos produtos", disse ele.

Silvana também citou a presença de altos teores de sal e gordura trans presentes nos alimentos industrializados, cada vez mais consumidos pelas crianças. "O que estamos precisando é fazer um intercâmbio entre esses conhecimentos e uma ação local. Acho que precisamos fazer uma rede e viabilizar a chegada desse conhecimento onde é necessário, trabalhando com governos, agentes comunitários, profissionais de saúde da família, para que se mostre quais são os produtos ideais para a alimentação das crianças", ressaltou.

A nutricionista e coordenadora estadual de Alimentação e Nutrição, Ester Mourão, também relacionou o problema ao baixo grau de instrução de pais e responsáveis. Para ela, existe uma relação direta entre a desnutrição e o analfabetismo da mãe.

"Quando a mãe é analfabeta o risco de desnutrição é três vezes maior. Por isso a importância das ações intersetoriais, mas para isso os órgãos públicos precisam se organizar. E é isso que a gente pretende fazer com esse plano", declarou.

Na região Norte do país, Acre, Amapá, Pará e Amazonas são os estados com os maiores índices de desnutrição infantil.

Postado por: Claudia Moraes

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