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Despachante admite já ter prestado outros serviços a jornalista

Despachante admite já ter prestado outros serviços a jornalista

Atualizado: Sexta-feira, 22 Outubro de 2010 as 1:40

O despachante Dirceu Garcia é conhecido na região da Barra Funda de São Paulo. Há pelo menos 20 anos presta serviços por ali, em meio a advogados e contadores. Ontem, por telefone, ele concedeu a seguinte entrevista à Folha, na qual admitiu já ter prestado outros serviços ao jornalista Amaury Ribeiro Jr.

Sobre integrar uma cadeia que culminou com a quebra de sigilo fiscal do dirigente tucano Eduardo Jorge e várias outras pessoas respondeu: "Normal. Prestei um serviço como outro qualquer".

Garcia intermediou a compra dos dados obtidos ilegalmente em agências da Receita no Estado de São Paulo contra tucanos. A encomenda das informações foi feita pelo jornalista, ligado ao "grupo de inteligência" da pré-campanha de Dilma Rousseff (PT).

Folha - Por que o sr. não quer nos conceder uma entrevista?

Dirceu Garcia - Só vou falar em juízo. O papel aceita muita coisa, e o que eu falar pode ser distorcido.

O sr. já tinha trabalhado para o jornalista Amaury Ribeiro Júnior antes?

Foi a primeira e única fez que ele me trouxe um lote. Eu já havia, sim, prestado serviços para ele, mas só dessa vez ele trouxe uma lista, que só tinha números --CPFs e CNPJs--, pessoas físicas e jurídicas, que depois eu repassei para a frente. Depois chegou a esse episódio que eu já disse pela TV.

Mas eu queria esclarecer: o sr. trabalhou para o jornalista em outras ocasiões?

Lógico. Mas eram trabalhos referentes à Junta Comercial de São Paulo: fichas cadastrais, fotocópias de contratatos... documentos abertos que qualquer pessoa pode ter acesso.

Mas junto com isso também não houve pedido de acesso a declarações da Receita ou cadastros de contribuintes?

Teve um ou outro nome. Mas não tenho lembrança precisa. Essa foi a única vez praticamente.

Como o sr. define o trabalho prestado ao jornalista para acessar esse lote de declarações?

Normal. Eu prestei um serviço como outro qualquer.

Por: Andrea Michael

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