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'Deve ter muita gente soterrada debaixo dessa lama', diz sobrevivente

'Deve ter muita gente soterrada debaixo dessa lama', diz sobrevivente

Atualizado: Quarta-feira, 19 Janeiro de 2011 as 12:59

Pouco mais de uma semana depois das fortes chuvas que atingiram a Região Serrana do Rio, a situação continua precária na Posse, uma das localidades mais afetadas de Teresópolis. Parcialmente isolados, moradores estão sem água e luz. O difícil acesso dificulta o restabelecimento dos serviços e a distribuição de mantimentos.

“A gente ainda não acredita no que aconteceu. O nível da água subiu uns sete metros. Pedras gigantescas rolaram aqui para baixo. Foi tudo engolido pela lama. Acredito que ainda deva ter muita gente soterrada debaixo dessa lama toda. Essa é a minha maior tristeza”, disso o produtor cultural Louis Capelle, que mora próximo ao leito do “novo” rio e também está sem água e sem luz.

Agentes da Defesa Civil tiveram dificuldade na terça-feira (18) para chegar às regiões mais críticas do bairro. Os problemas começaram logo na estrada que leva à parte mais alta da região. Troncos de árvores distorcidos, galhos, pedras e muita lama são os maiores obstáculos para os veículos que levam água e comida.

Em alguns trechos do percurso, é possível ter uma ideia mais concreta do que foi perdido na tragédia, como nas proximidades do leito do rio que corta o bairro. Por causa da força das águas, teve seu curso desviado para onde antes só havia casas. Agora só é possível enxergar por inteiro algumas delas. Uma bota, a pára-choque de um carro e uma boneca sem roupa completam o cenário que lembra o de um filme-catástrofe.     Moradores pedem medicamentos No caminho que leva até outra parte do bairro, os agentes param para atender os moradores de uma casa que pedem medicamentos: “Por favor, sou hipertensa e não posso deixar de tomar meu remédio. Não saio de casa há seis dias. Também não há energia elétrica”, lamentou a senhora de 68 anos que não quis se identificar.

Além da necessidade de atender aos mais carentes, a Defesa Civil também alerta para os proprietários de imóveis em locais de risco, como encostas ou beiras de barrancos – alguns destes locais já começam a apresentar fendas no solo.

Tiago da Silva, funcionário do Parque Natural Municipal Montanhas de Teresópolis, explica que já notificou moradores diversas vezes, mas a resposta é sempre a mesma: “Eles dizem que não querem sair. Ou por que acham que estão seguros ou por que não têm para onde ir. Alguns também têm medo de saques. Dizem que algumas casas temporariamente vazias já foram arrombadas e roubadas. Preferem se arriscar e ficar”, comentou.

Os sinais de recuperação ainda são tímidos, o que aponta para um tempo considerável até que tudo se restabeleça. “Mas o que importa mesmo são as vidas perdidas aqui. Isso sim nunca conseguiremos recuperar”, queixou-se Louis.      

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