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Dia Nacional da Adoção é lembrado por grupos de apoio em MS

Dia Nacional da Adoção é lembrado por grupos de apoio em MS

Atualizado: Quarta-feira, 25 Maio de 2011 as 3:46

  Este 25 de maio é o Dia Nacional da Adoção, uma data lembrada em todo o país e principalmente por grupos de apoio à adoção em Mato Grosso do Sul.

Crianças cheias de vida e esperança. A reportagem esteve em um abrigo que cuida daqueles que ainda não têm uma família.

No Brasil são 4.427 crianças e adolescentes inscritos no Cadastro Nacional de Adoção e 26 mil casais pretendentes. Mas os número não fecham em razão de algumas preferências dos pais adotivos e também de leis que não seguem a realidade brasileira.

Das pessoas que querem adotar, 95% têm preferência por crianças com até cinco anos de idade. E estas são apenas 1% das crianças disponíveis para a adoção. Outras 10.129 pessoas apontam que querem adotar crianças brancas.

Os números são precisos e muito duros quando se trata de um assunto em que o amor e o carinho devem falar mais alto.

Um lugar onde a idade determina o destino. No Brasil as leis que regem a criança e o adolescente dizem que crianças com mais de três anos de idade já são de adoção tardia. Este é um dos motivos que fazem a fila da adoção crescer ainda mais.

Somente em um abrigo em Campo Grande, estão 28 crianças com mais de três anos. Elas aguardam famílias que queiram adotá-las. Abandono, maus tratos e negligência são os motivos que trouxeram elas para cá.

No Brasil, 17% dos cadastrados pretendem adotar uma criança com mais de três anos de idade. Para a coordenadora dos abrigos é preciso mudar a cultura do brasileiro.

“Uma criança pequena pode ser feliz em uma família. E essa família pode fazer essa criança feliz também”, aponta a coordenadora do abrigo, Joana Queiroz.

A juíza Maria Isabel Rocha, da Coordenadoria da Infância e Juventude, mostra outro dado assustador, 80% das adoções ainda são informais, não passam pela Justiça. A maioria é feita por pessoas que pegam recém-nascidos em hospitais. Por isso, existe uma campanha nacional para que as mães que não queiram seus filhos entreguem eles diretamente à Justiça.

A mãe não será punida e poderão ser evitados casos como o de uma mulher que em abril deste ano iria abandonar o filho na rodoviária de Campo Grande. Além de outros casos com repercussão nacional.

“Nós temos muitas situações de famílias que devolvem crianças, que mais tarde se eximem dessa responsabilidade, que não chegam a pedir a adoção. E mesmo quando pedem a adoção existem casos de insucesso”, diz a magistrada.

Se as pessoas não podem ou não querem adotar, em Campo Grande há ainda a chance de apadrinhar. Há 11 anos existe o Projeto Padrinho. Um dos exemplos é uma menina de 13 anos que ainda não foi adotada, mas tem uma madrinha, que quase todos os fins de semana leva ela para casa. Mas a adolescente tem um desejo maior.

“Ter um pai e uma mãe, é o que eu sonho", diz a adolescente.

Rosa Pires Aquino é coordenadora do Projeto Padrinho, e neste Dia Nacional da Ação comemora as mudanças feitas até agora, mas diz que é preciso mais consciência e seriedade dos casais na hora de decidir uma adoção.

“É uma campanha que temos que comentar. Que as crianças estão ai. Tem que ter oportunidade. São crianças normais que precisam realmente de uma família”, conclui a coordenadora do projeto.          

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