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Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração

Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração

Atualizado: Quarta-feira, 13 Maio de 2009 as 12

Na próxima segunda feira, dia 18 de maio, é um dia de reflexão nacional sobre o abuso sexual contra crianças e adolescentes. Instituído pela Lei Federal nº 9970/00, a data foi escolhida em razão do crime que comoveu todo o Brasil, conhecido como "Crime Araceli", nome de uma menina de apenas oito anos de idade que foi estuprada e cruelmente assassinada em Vitória (ES), em 18 de maio de 1973.

Segundo a médica e psicanalista, Soraya Hissa de Carvalho, o abuso sexual é caracterizado por pensamentos e fantasias eróticas ou atividades sexuais com crianças, o que é denominado de pedofilia.

O pedófilo normalmente é uma pessoa conhecida da vítima pela maior facilidade de envolver e controlar a criança. "Esta pessoa, em geral, é alguma figura de quem a criança gosta e em quem confia. Por isso, quase sempre acaba convencendo a criança a participar desse tipo de ato por meio de persuasão, recompensa ou ameaça", afirma a médica.

O indivíduo que comete pedofilia é aparentemente normal, inserido na sociedade, mas que mantém preservadas as demais áreas de sua personalidade. "A pedofilia é encontrada em pacientes que têm sua estima bem baixa e sofrem de transtorno grave do narcisismo. A atividade sexual com crianças é uma maneira de manter elevada sua frágil auto-estima. No entanto, provocam dano irreparável à criança", explica Soraya.

Segundo a psicanalista, as principais seqüelas do abuso sexual são de ordem psíquica, sendo um relevante fator na história da vida emocional, psicossocial e causador de transtornos psiquiátricos da vítima quando adulto.

As reações das crianças que sofrem abuso diferem com a idade e com a personalidade de cada uma, bem como com a natureza da agressão sofrida. "A criança vítima de abuso sexual normalmente desenvolve uma perda violenta da auto-estima, tem a sensação de que não vale nada e adquire uma representação anormal da sexualidade. Ela pode ainda se tornar muito retraída, perder a confiança em todos os adultos e chegar até a considerar o suicídio. E o pior de tudo, a criança pode se transformar em adulto que também abusa de outras crianças", alerta a psicanalista.

Os pais e familiares devem ficar atentos a essas mudanças de comportamento repentinas das crianças, pois na grande maioria das vezes, as vítimas de abuso são convencidas pelo abusador de que não devem dizer nada a ninguém. "A primeira intenção da criança é, de fato, avisar a alguém sobre seu drama, mas, em geral, nem sempre ela consegue fazer isso com facilidade, apresentando um discurso confuso e incompleto. Por isso os pais precisam estar conscientes de que as mudanças na conduta, no humor e nas atitudes da criança podem indicar que ela é vítima de abuso sexual", ressalta.

O melhor tratamento, segundo a médica, é o acompanhamento da vítima por um profissional que o ajudará a recuperar sua auto-estima, a lidar melhor com seus eventuais sentimentos de culpa sobre o abuso e a começar o processo de superação do trauma. Já o agressor deve ser punido conforme a lei, além de receber um tratamento psicológico.

Postado por: Felipe Pinheiro

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