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Dilma nega aparelhamento do Estado e diz que jornada de 40h não é questão do governo

Dilma nega aparelhamento do Estado e diz que jornada de 40h não é questão do governo

Atualizado: Segunda-feira, 17 Maio de 2010 as 11:01

A ex-ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência, evitou se posicionar contra ou a favor da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. Em entrevista à rádio ''CBN'' na manhã desta segunda-feira, a petista disse que a questão não é do governo federal.

''As pessoas têm sempre que distinguir duas coisas: quem está no governo e quem está no movimento sindical'', afirmou a pré-candidata.

Para ela, a mudança da jornada deve ser feita em um acordo construído entre os empresários e sindicatos e não ser imposta pelo governo. ''Eu não posso apoiar nem não apoiar porque não acho que seja uma matéria governamental.''

A entrevista, que durou uma hora, foi feita pelos jornalistas Heródoto Barbeiro, Lucia Hippolito e Miriam Leitão. Na semana passada, o entrevistado foi o pré-candidato tucano José Serra. Na semana que vem, será vez da senadora Marina Silva (PV-AC).

Aparelhamento

Dilma rebateu as críticas de aparelhamento do governo Lula com militantes petistas. Segundo ela, as mudanças na distribuição de cargos seguiram o padrão de países como Estados Unidos, Inglaterra e França.

''Nós incorporarmos e mantivemos muita gente no segundo escalão'', afirmou.

Dilma disse que não discorda da indicação de partidos políticos ou nomes para cargos em agências reguladoras. ''A indicação política tem que preencher critérios'', disse.

Na semana passada, o pré-candidato do PSDB criticou o loteamento de cargos no governo federal e a indicação política. Ela disse acreditar que as indicações devem cumprir critérios técnicos e afirmou que o governo tem procurado fazer isso.

''Aqui em São Paulo o presidente da agência de transporte é um deputado federal do PSDB, e nem por isso eu vou considerar que a agência de transporte de São Paulo está mal administrada'', afirmou Dilma. O diretor da Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) é o ex-deputado tucano Carlos Eduardo Sampaio Doria.

Política fiscal

Ao responder a pergunta da jornalista Mirian Leitão sobre a política fiscal e monetária, Dilma disse considerar uma observação incorreta e ''errada no conceito'' a afirmação de que errou no passado ao ''atropelar'' a proposta do ex-ministro Antonio Palocci sobre contenção da dívida. ''Nossa dívida líquida caiu'', afirmou a pré-candidata, ao comentar o aumento da dívida bruta citada na pergunta.

''Você está pegando uma discussão de 2005. Falhamos. Colocamos investimento na ordem do dia. Mantemos a maior queda da dívida líquida sobre o PIB e no deficit nominal. Fomos interrompidos pela crise, é verdade, mudamos o superavit primário, mas neste ano estamos recompondo'', afirmou. ''A política fiscal de Lula é de longo prazo.''

''Todos os cortes de gastos aprovados pelo esse governo foram aprovados com o meu acordo e todas as metas de superavit primário foram aprovadas com meu acordo'', afirmou, lembrando que foi integrante da junta orçamentária.

Verbas da saúde

Dilma Rousseff defendeu mais recursos para a saúde. Questionada se a carga tributária deve subir para que isso ocorra, ela afirmou que tentará que não suba. ''É impossível ter melhoria se não houve recomposição das fontes de financiamento'', afirmou, negando que os recursos venham de Estados e municípios, fontes descartadas por ela.

''Se tirarmos dinheiro [de Estados e municípios], eles quebram'', disse ela. ''Vamos ter que assegurar que os recursos existentes sejam bem usados.''

Apesar de mais recursos, Dilma não especificou de onde viria o dinheiro. ''Precisamos discutir com calma.''

A petista também criticou o fim da CMPF. Para ela, a saúde perdeu R$ 40 bilhões por ano sem os consumidores fossem beneficiados. ''É impossível ter melhoria na saúde no Brasil se não tiver recomposição dos recursos.''

Previdência

Sobre a questão previdenciária, a pré-candidata disse que o melhor não é fazer uma grande reforma, mas pequenos ajustes por conta do aumento da expectativa de vida do brasileiro. ''Tem que ser uma conversa transparente. Se aumentou o tempo de vida médio do brasileiro, nós temos que mudar as condições que se lastreiam o fator previdenciário.''

Já no item sobre os royalties do petróleo, a pré-candidata afirmou que é contra a mudança dos contratos. ''Eu fico preocupado quando querem rever situações já consolidadas.'' No entanto, ela disse que o caso o pré-sal deve ser diferente e os lucros não devem ser só de quem encontra o petróleo. ''Tem que distribuir entre quem achou e a nação brasileira'', afirmou Dilma.

A ex-ministra também defendeu a construção da Usina de Belo Monte no Pará. Para ela, o investimento em energia hidrelétrica será necessário para manter a matriz enérgica do país menos dependente das termoelétricas. ''O Brasil tem um nível de maturidade na área de energia que temos em poucos países do mundo.''

Irã

No início da entrevista, ao falar de relações internacionais, a ex-ministra disse que Lula ganha uma nova dimensão internacional com o acordo nuclear fechado no Irã neste final de semana. ''Ele marcou um gol no Oriente Médio.''

Dilma disse que o acordo foi mais do que uma vitória da diplomacia do país, mas da política externa do governo Lula.

Ela afirmou que se considera uma política de esquerda. ''Tenho uma trajetória de esquerda, mas sou sobretudo a candidata de um projeto que mudou o modelo de desenvolvimento do Brasil.'' Na semana passada, Serra também disse que era de esquerda.

Vice

Sobre a definição de sua chapa, ela afirmou que PMDB irá escolher quem será o seu vice. Para ela, tudo indica que ele será o presidente da Câmara e presidente do partido, deputado Michel Temer (SP). ''Acho que o Michel Temer é uma pessoa qualificada para ser vice.''

Em um ato falho, a petista disse que Temer é presidente do Senado, cargo ocupado pelo senador José Sarney (PMDB-AP).

Segurança

A petista evitou falar sobre o número de operações da Polícia Federal durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Segundo ela, foram feitas cerca de 1.060 operações no mandato de Lula. ''É difícil levantar o que foi feito no governo anterior'', afirmou. Ela também não quis falar sobre a proposta de criação do Ministério da Segurança Pública, feita por Serra.

Reportagem da Folha publicada em maio revelou que Dilma usou em pelo menos três entrevistas um número que nem a própria PF sabia como surgiu para comparar as ações da PF nos dois governos.

Dilma dizia que no governo FHC foram feitas apenas 29 operações. Após a reportagem, a assessoria da pré-candidata explicou que ela citou números que estavam no livro do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que ainda será lançado.

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