Dilma sugere a iraniana diálogo com Congresso sobre Sakineh

Dilma sugere a iraniana diálogo com Congresso sobre Sakineh

Atualizado: Quarta-feira, 19 Janeiro de 2011 as 11:09

A presidente Dilma Rousseff leu nesta terça-feira (18) a carta enviada pela deputada Zohreh Elahian sobre a iraniana Sakineh Ashtianti, condenada à morte por adultério e suposta participação na morte do marido. Em nota, Dilma "reitera a disposição de continuar conferindo à questão dos Direitos Humanos um lugar central em nossa política externa, sem seletividade e tratamento discriminatório." O Planalto não confirmou o conteúdo da correspondência, mas disse que ela não "traz novidades sobre a situação da iraniana". De acordo com agências de notícias iranianas, Elahian teria informado, na carta, que a sentença de enforcamento contra Sakineh foi suspensa. A deputada também é presidente do Comitê de Direitos Humanos do Parlamento do Irã.

Ainda na nota divulgada nesta terça, Dilma agradece "os cumprimentos que a parlamentar lhe dirigiu por sua eleição à Presidência do Brasil, as informações que constam da carta e o interesse em contribuir para um diálogo construtivo entre os dois países sobre temas bilaterais e multilaterais."

A presidente termina a nota dizendo considetar "positiva" a disposiçãp de Elahian de realizar um "amplo intercãmbio de oponiões" entre os dois países. "Um diálogo com as comissões de Direitos Humanos do Congresso brasileiro poderá ser de grande utilidade nesse sentido", diz Dilma.

Sakineh foi inicialmente condenada a apedrejamento pelo crime de adultério, mas essa sentença foi suspensa devido à repercussão internacional. Ela continuava sob ameaça de morte por enforcamento, por ter sido considerada cúmplice no assassinato do marido. Em sua primeira entrevista como presidente eleita, Dilma Rousseff disse considerar uma "barbaridade" a condenação da iraniana à morte por apedrejamento. "Não tenho status oficial, mas externo a vocês a minha posição que acho bárbaro o apedrejamento da Sakineh."

Asilo no Brasil

Em julho do ano passado, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu asilo a Sakineh no Brasil. O governo do Irã rejeitou a oferta, elogiando o "caráter humano e sensível" de Lula, mas argumentando que ele não estava a par de todos os fatos.

O Brasil tem boas relações com o Irã, e no ano passado tentou mediar um acordo nuclear, rejeitado por potências ocidentais. Pela lei islâmica em vigor no Irã, o adultério pode ser punido com a morte por apedrejamento, enquanto crimes como homicídio, estupro, assalto, apostasia e narcotráfico resultam em enforcamento. O caso de Sakineh abalou ainda mais as relações entre o Irã e o Ocidente, já prejudicadas por causa do programa nuclear iraniano, que os EUA e seus aliados temem estar voltados para o desenvolvimento de armas nucleares. Teerã insiste no caráter pacífico das suas atividades.   Por: Nathalia Passarinho

veja também