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Direção de presídio em Cuiabá pede demissão após mortes em motim

Direção de presídio em Cuiabá pede demissão após mortes em motim

Atualizado: Quinta-feira, 23 Junho de 2011 as 2:03

Toda a direção da Penitenciária Central do Estado, antigo Pascoal Ramos, pediu demissão na manhã desta quinta-feira (23), em Cuiabá. Ao todo, oito pessoas enviaram um ofício entregando seus respectivos cargos para o Superintendente de Gestão Penitenciária, José Carlos de Freitas. Os pedidos de demissão foram feitos três dias depois de um motim ocorrido dentro daquela unidade prisional que terminou com a morte de um agente prisional e um detento.

Pediram demissão o diretor do presídio, Jean Carlos Gonçalves, além do sub-diretor Isaías Marques de Oliveira, a gerente administrativa Cristian Auxiliadora, o chefe de segurança e disciplina Everton Santana e outras quatro pessoas que eram responsáveis pela carceragem no presídio. De acordo com o ofício, o motivo das demissões seria a inoperância do estado em não resolver os problemas da penitenciária, como a superlotação e a falta de segurança. A Penitenciária Central do Estado é a maior unidade prisional de Mato Grosso e abriga atualmente 2.100 presos, mas a capacidade é para 800.

O secretário adjunto de Administração Penitenciária, tenente-coronel José Antônio Chaves, não foi localizado para falar sobre as demissões.

Morte e transferência

Na última segunda-feira (20) um agente prisional foi morto durante um motim dentro da penitenciária. O agente Wesley da Silva Santos, de 24 anos, foi feito refém pelos detentos e acabou morrendo após ser ferido por um golpe de arma artesanal. Policiais militares entraram na unidade prisional para conter o motim e balearam três detentos sendo que um deles, Uenes Brito dos Santos, de 22 anos, morreu. O agente prisional que era refém, além do ferimento por arma artesanal, também foi atingido por disparos de arma de fogo.

O juiz da Vara de Execuções Penais de Cuiabá, Gonçalo Antunes de Barros Neto, exigiu a transferência dos detentos dos presídios da capital para outras unidades do interior de Mato Grosso. O magistrado fez a declaração no começo da noite de segunda-feira (20), depois de vistoriar a Penitenciária Central do Estado. “Determinei que os presos sejam recambiados para outras unidades. Aqui nas unidades da capital a lotação é suprema. É uma situação inadmissível", comentou o juiz.

De acordo com ele, devem ser transferidos das unidades aproximadamente 830 presos. Só da Penitenciária Central, local do motim, serão removidos ao menos 400 reeducandos nos próximos dias. Naquele dia, o secretário adjunto José Antônio Chaves disse que o plano de transferência dos presos está pronto, mas não informou a data para que isso seja feito.        

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