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Diretor da escola em que professora teria aliciado aluna é exonerado

Diretor da escola em que professora teria aliciado aluna é exonerado

Atualizado: Quinta-feira, 4 Novembro de 2010 as 8:30

A Secretaria municipal de Educação do Rio informou, nesta quarta-feira (3), que o diretor da Escola Municipal Rondon, em Realengo, na Zona Oeste, foi exonerado da sua função. Mais cedo, ele prestou depoimento na 33ª DP (Realengo) para esclarecer se sabia do relacionamento amoroso que uma professora da instituição mantinha com uma aluna de 13 anos.

Em nota oficial, a Secretaria esclareceu que “dará toda assistência psicológica para a aluna envolvida”. Segundo o órgão, todas as escolas, em casos de denúncia de abuso sexual, são orientadas a comunicar à polícia a suspeita e abrir uma sindicância administrativa para apurar os fatos. Além disso, a Secretaria informou que orienta a procura do Conselho Tutelar.

O delegado da 33ª DP, Angelo Lages, informou que o diretor será indicado por estupro de vulnerável e corrupção de menores. Ele vai responder pelos mesmos crimes que a professora, que está presa em Bangu 8, é acusada.

Segundo o delegado, em depoimento, o diretor ele disse que não sabia do envolvimento da professora e da aluna. Mas registros feitos em atas da direção da escola com relatos da mãe da aluna indicam que o diretor sabia do relacionamento entre as duas.

Ata da direção fala sobre relacionamento

“Ele chegou à delegacia e negou qualquer conhecimento pelo fato. Sendo que, em 24/06/2010, ele relatou na ata da direção que a mãe da adolescente esteve no colégio e afirmou que a professora aliciava a menina e que passava horas com ela. Depois deste, outros registros foram feitos por ele que, inclusive, reconheceu os registros durante o depoimento”, contou o delegado.

Ainda segundo Lages, em uma das atas registradas pelo diretor, ele diz que a estudante de 13 anos sentiria uma atração pela professora.

Outros dois fatos chamaram a atenção do delegado. O primeiro deles é a forma como o diretor escrevia as reclamações da mãe, aparentando ocultar certas informações. “Ele usava palavras como atípico, aliciamento, nomes que provavelmente não foram ditos pela mãe dela, e tentava de certa forma ocultar os fatos”, explica.

Outro fato  foi a demora do diretor em abrir uma sindicância contra a professora. “Imagino como deve ser difícil você lidar com um colega dessa forma, mas ele só abriu uma sindicância três meses depois da primeira reclamação da mãe. Depois que o primeiro registro foi feito, em junho, ocorreram outras reclamações. Mas só em 9 de setembro foi que ele abriu uma sindicância para apurar o caso”, diz o delegado.

O delegado conta ainda que, durante o depoimento, o diretor estava nervoso e tentava se defender das acusações. “Negar envolvimento é uma forma de defesa. Talvez se ele tivesse confessado que sabia, poderia ajudar na hora do julgamento. E se tivesse relatado logo a polícia sobre o caso, hoje não precisaria passar por isso”, disse.

Diretor sugeriu transferência de aluna

De acordo com os registros feitos nas atas, a primeira ação do diretor foi transferir a menina de turma. Atitude que, segundo Lages, desagradou a mãe da jovem. Depois, o diretor ainda mudou a professora de turma. E, por fim, a afastou definitivamente das atividades, como consta nas atas.

Num último registro, o diretor ainda teria indicado que a menina fosse transferida de escola para evitar que ela sofresse constrangimento por parte dos colegas de turma.

Mãe deverá ser ouvida novamente

Segundo o delegado, a mãe da adolescente deverá ser ouvida novamente. A expectativa é que ela compareça a delegacia ainda nesta quarta-feira (3). Já o proprietário do motel frequentado pela professora e a aluna, que era aguardado na delegacia nesta quarta, não compareceu. De acordo com Lages, o advogado dele esteve na 33ª DP e pediu para remarcar a data do depoimento.

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