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Dirigente de entidade reclama de campanha contra os circos

Dirigente de entidade reclama de campanha contra os circos

Atualizado: Quinta-feira, 6 Novembro de 2008 as 12

"Denúncias infundadas de maus-tratos a animais têm feito com que muita gente deixe de trabalhar em circos", afirmou na quarta-feira, 5 de novembro, a vice-presidente da União Brasileira dos Circos Itinerantes (UBCI), Marlene Querubim, que representa 2.500 circos e mais de 70 mil empregos diretos e indiretos em todo Brasil. Ela esclareceu que é contra castigar os animais, mas ressaltou que casos isolados de violência não podem servir para incentivar campanhas contra os circos.

Na terça-feira, 4, o assessor do Ministério do Meio Ambiente, José Maurício Padroni, afirmou que a pasta é radicalmente contra a exposição de animais em circos. Ele fez a declaração após encontro com representantes de diversas entidades e de organizações não-governamentais (ONGs) que entregaram o vídeo Stop Circus Suffering, com imagens de maus-tratos a animais usados em apresentações circenses no Brasil e em outros países.

O material faz parte da campanha internacional que defende o fim do uso de animais em circos no Brasil e em outros países. As entidades que apóiam a iniciativa pedem que o Congresso Nacional aprove o projeto que prevê a proibição de circos com animais em todo o território nacional.

Marlene lembrou que o circo está no imaginário do brasileiro. "Que criança não sonhou fugir com o circo?" Ela própria fez isso, ao fugir com o CircoVostok, quando era adolescente. Desde então, nunca mais deixou a vida circense, na qual está há mais de 30 anos.

Hoje, ela é dona do Circo Espacial, um dos maiores do Brasil, que conta cerca de 200 funcionários e não tem sequer um animal. "Justamente por isso me sinto à vontade para defender a causa, uma vez que não terei nenhum benefício particular. O que não pode acontecer é não termos o direito de trabalhar por causa dessas denúncias, na maioria das vezes infundadas. Muitos vídeos são pura armação e são divulgados sem nenhum critério de avaliação."

De acordo com ela, em algumas campanhas são usadas faixas pedindo à população para não assistir aos espetáculos dos circos. "Sem bilheteria, estamos fadados à falência. Por isso, grandes circos, como o Garcia, o Roma e o Nápoli, já fecharam." A dona do Circo Espacial disse que a falta de dinheiro pode ser uma das causas que levem os donos dos circos a não cuidar direito dos animais.

Marlene recordou também que a profissão de domador é regulamentada pela Lei 6533/78. Segundo ela, a comunidade circense pretende agora é promover uma campanha em defesa do circo. "Queremos ser parceiros do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis]. Queremos que seja legalizada a permanência de animais no circo, com normas específicas, como espaço para eles, alimentação adequada e consultas regulares a veterinários."

"Se formos proibir animais nos circos temos que proibir também na polícia e nos bombeiros. O que não pode é ter dois pesos e duas medidas", afirmou Marlene.

Postado por: Claudia Moraes

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