Dois anos depois, reconstrução continua em Itajaí e Blumenau

Dois anos depois, reconstrução continua em Itajaí e Blumenau

Atualizado: Segunda-feira, 6 Setembro de 2010 as 11:09

São quase dois anos desde as enchentes que atingiram, em novembro de 2008, o estado de Santa Catarina, mas persistem as lembranças e consequências da maior catástrofe natural registrada em 26 anos no estado.

Ao todo, 14 municípios catarinenses decretaram estado de calamidade pública e 63 entraram em situação de emergência. De novembro de 2008 a fevereiro de 2009, a Defesa Civil registrou 135 mortes no estado em decorrência das chuvas.

O Vale do Itajaí foi a região catarinense mais atingida. Cidades como Itajaí e Blumenau, terceira e quarta economias do estado, se tornaram cenário de destruição, em imagens que correram o mundo.

Itajaí

Em Itajaí, choveu 472,7 mm (472,7 litros por metro quadrado) apenas de 20 a 24 de novembro, enquanto a média histórica para o mês é de 144,8 mm.

O resultado: a cidade parou. Bombas de distribuição de água submergiram e filtros se entupiram de lodo, causando a paralisação do sistema. A rede de energia foi desligada para evitar acidentes. O transporte coletivo não circulou e o lixo deixou de ser coletado. Escolas fora da cheia viraram abrigos temporários e as demais perderam mobiliário e equipamentos. Os números podem não dar conta de todas as tragédias humanas, mas ajudam a dimensionar o desastre. As chuvas do verão de 2008 em Itajaí deixaram 2 mortos, 69 feridos graves, 20 mil desabrigados ou desalojados. Danificaram 28,5 mil imóveis.

As ações de recuperação empreedidas até junho de 2009 também ajudam a calcular o tamanho da catástrofe: 28.340 m3 de entulhos retirados (o suficiente para encher 11 piscinas olímpicas), 2.500 toneladas de asfalto utilizadas (peso equivalente ao de nove aeronaves Airbus A380), pintura de 2.311 km de meios-fios, 3.079 limpezas de boca-de-lobo.

Mas nas regiões mais pobres do município a recuperação caminha a passos lentos, disse Élcio Machado, conhecido como "Maninho", líder do projeto Ombro Amigo, que trabalha na construção de casas para famílias que vivem em áreas de risco. "Nas áreas pobres ainda falta muito para botar a situação em ordem", afirma. Blumenau

A 60 km de Itajaí, a cidade de Blumenau registrou a maior destruição pelas chuvas do final de novembro de 2008. Choveu 494,4 mm na cidade em apenas dois dias (22 e 23 de novembro) - mais de três vezes a média histórica para o mês, de 120 mm.

O rio Itajaí-Açu, que corta a cidade, chegou ao pico de 11,52 metros. As primeiras ruas começaram a ser alagadas com oito metros - ao todo, mais de 270 vias foram atingidas pelas águas.

Cercado por morros, o município registrou cerca de 3.000 pontos de deslizamentos de terra. Os desmoronamentos responderam por 21 das 24 mortes registradas na cidade na ocasião - outras três pessoas foram vítimas de afogamento. Cerca de 103 mil pessoas (34% da população) foram atingidas por cheias ou quedas de barrancos.

No auge da tragédia, segundo a prefeitura, havia 5.600 pessoas em 64 abrigos montados pela Defesa Civil. Hoje ainda há cerca de 300 famílias vítimas daquelas chuvas vivendo em seis complexos de moradias provisórias.

Como em Itajaí, os serviços públicos de Blumenau também colapsaram. A cidade ficou sem água por quase uma semana - apenas hospitais e abrigos eram abastecidos por caminhões-pipa. Quase todos os bairros ficaram sem luz durante as cheias e não houve coleta de lixo por duas semanas.

Apesar de todos os recursos empregados na reconstrução (foram mais de R$ 30 milhões em obras de manutenção, segundo a prefeitura), ainda há trabalho por fazer. Na Rua 2 de Setembro, por exemplo, uma cratera aberta à época aguarda recursos da Caixa Econômica Federal para ser fechada. Ao todo, segundo a administração municipal, há nove conjuntos de obras ainda em curso ou em fase de projeto ou licitação.

Postado por: Thatiane de Souza

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