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Dona de jet ski pede perdão a mãe de menina morta em Bertioga

Dona de jet ski pede perdão a mãe de menina morta

Atualizado: Segunda-feira, 27 Fevereiro de 2012 as 9:08

A empresária Ana Júlia Cardoso, proprietária do jet ski que atropelou e matou a menina Grazielly Almeida Lames, de 3 anos, pediu perdão à mãe da criança. O acidente aconteceu na Praia de Guaratuba, em Bertioga, litoral de São Paulo, no sábado de carnaval (18).

Em entrevista ao Fantástico, a mulher, que também é madrinha do adolescente suspeito de ter causado o acidente, acrescentou que está “à disposição” da família da vítima. “Não posso trazer a vida dessa menina de volta. Mas queria pedir o perdão para essa mãe.”

Ana Júlia contou que antes do acidente, ela, o marido, a mãe do adolescente, o jovem e um amigo dele, também menor, participaram de um passeio de barco. “Chegamos em casa e ele perguntou: ‘Madrinha, cadê seu jet?’ Eu falei: ‘Está aí’. Eu ainda falei: ‘Espera, outra hora a gente anda’. Ele falou que não queria esperar, que queria andar.” A madrinha, que tem habilitação para pilotar o jet ski, acrescentou que o afilhado “é um menino que faz o que quer”.

À polícia o adolescente disse que quem levou o equipamento para o mar foi o caseiro, com a autorização do padrinho. A madrinha desmentiu o afilhado. “Eu acredito no meu caseiro. Ele diz que não. Já deu depoimento para a polícia. Diz que não levou." Sobre o adolescente, ela disse que o jovem não teve autorização e que retirou sozinho a embarcação.

Na mesma praia estava Grazielly e a mãe. Era a primeira vez que a menina, que mora no interior de São Paulo, via o mar. “Tempo inteiro com o olhinho brilhando. Aquela alegria e a toda hora me abraçando, me agradecendo”, disse, emocionada, Cirleide Rodrigues Lames. “A impressão que tenho é que vou chegar em casa e encontrar ela.”

Uma testemunha que não quis se identificar afirma que viu o jet ski sair da casa da empresária e chegar à praia, levado por um adulto e dois adolescentes. Segundo ela, o homem voltou para a casa e os menores subiram no jet ski. “Ficou o jet ski parado, boiando, eles em cima. Aí, de repente, escutei que ligou o jet ski. Logo em seguida foi assim um barulho de aceleração muito forte, como se tivesse acelerado no último. E eu percebi que não tinha ninguém em cima. Já bateu no chão e foi indo em alta velocidade, quicando, quicando.”

Bem perto de onde aconteceu o acidente havia muitas pessoas, segundo relatos de testemunhas. Algumas disseram que também foram atingidas. “Eu só senti a pancada na perna e o esguicho de água passando e fui embora. Aí pegou na minha perna, na minha coxa esquerda, pegou no cotovelo e no lado de minha prima. Pessoas que estavam próximas de mim falaram que não tinha ninguém em cima, que ele passou sozinho”, disse a inspetora de qualidade Andréa dos Santos Silva.

Segundo o advogado da família da vítima, José Beraldo, quem permitiu que o adolescente andasse com o jet ski responde com dolo eventual. “Ele assumiu o risco de produzir o resultado. Portanto, ele deve ser julgado perante o júri popular."

O adolescente, a mãe dele e o amigo deixaram o local sem prestar socorro. Eles disseram que foram ameaçados. “Não há fuga. Obviamente ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo. Foi uma situação de desespero”, disse o advogado do adolescente, Maurimar Bosco Chiasso.

Questionada sobre a maneira como a mãe do afilhado agiu, a empresária Ana Júlia garantiu não estar chateada. “Mas esperava uma atitude mais humana. Ter feito qualquer coisa, gente”, afirmou.

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