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Duda Mendonça diz que PT erra na vestimenta de Dilma

Duda Mendonça diz que PT erra na vestimenta de Dilma

Atualizado: Quarta-feira, 28 Abril de 2010 as 12

O publicitário Duda Mendonça afirmou nesta terça-feira à noite que a campanha da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, erra na forma que tenta apresentá-la ao eleitor. "Não adianta desvirtuar a Dilma. Tem que deixar a Dilma ser como ela é. As pessoas vão entender como ela é ou não. Pegá-la e fazer outra pessoa...Vai ficar numa vestimenta que não é confortável, vai ficar escorregando volta e meia", disse Duda, em palestra de duas horas na Casa do Saber, em Ipanema, zona sul do Rio.

Para um público de assessores de marketing, pré-candidatos e jornalistas, Duda procurou explicar como trabalha.

"Por que eu votaria na Dilma? Ou por que eu votaria no Serra? É a primeira pergunta fundamental. Tudo começa aí. Acabou-se o tempo em que a formação de opinião era de cima para baixo. O povo na base, e os artistas e intelectuais tinham uma opinião e saía na imprensa. A pirâmide virou de cabeça para baixo. Quem gera a opinião marcante que muda o voto é um igual, um colega de trabalho. A palavra mais importante é argumento. A palavra mágica em eleição hoje é argumento."

O publicitário tentou se mostrar imparcial, apesar da simpatia a Dilma. "Com a eleição de Serra ou de Dilma, acho que a gente está bem servido de qualquer lado. Sinceramente, independentemente da torcida da gente ser para este ou aquele candidato, não há risco de retrocesso. Cada um pode sua tendência aqui ou ali. O Serra é um baita governador, a Dilma está comprometida a prosseguir o que Lula está fazendo e dando certo."

Responsável pela campanha de Lula em 2002 e pelo marketing do governo até o escândalo do mensalão em 2005, Duda afirmou acreditar que Dilma deve vencer, graças ao apoio do presidente.

"A Dilma é de uma geração nova de política. Tenho privilégio de conhecê-la. Tem chance numa eleição muito disputada. Acho que Dilma ganha a eleição. O palco mais importante vai ser Minas", opina.

"Se não fosse o Lula, seria a vez do Serra. Serra é um baita de um quadro, puta governador. Se não fosse o Lula, era a vez dele. Mas Lula é igual Padre Cícero ou está ali perto."

Mensalão

Duda afirmou não ter certeza se devia ter confessado que recebeu R$ 10,5 milhões do PT numa conta secreta no exterior como fez na CPI do Mensalão. "Fiz meu trabalho, recebi e paguei meu imposto. Tenho um livro pronto, que vomitei na época. Não sei o título será 'Vale a Pena Falar a verdade' ou Não Vale a pena Falar a Verdade'."

Comentou as dificuldades de Dilma de obter apoio entre as mulheres, contingente em que as pesquisas a mostram mais frágil. "O PT tem uma camada de homens maior do que de mulheres. Talvez porque as mulheres sofrem mais com aquele momento inicial de greve, de apitaço...Ficou um pouco deste distanciamento. É possível melhorar? Sim. Na campanha do Lula melhorou. Ficou esta pontinha, sobretudo a ideia de radicalismo."

Marketing

Duda procurou vender-se como um vencedor. "Na eleição de prefeito, dei consultoria para 11 campanhas, tive a sorte de ganhar nove. Procuro pegar candidatos competitivos. É claro que as melhores propostas vêm de candidatos na UTI. Mas se você for pegar assim ganha muito dinheiro e perde todas. Vai ganhar uma e perder muitas. Tem que fazer um mix."

Duda afirmou que a imprensa dimensiona erradamente o papel do marqueteiro. "É uma profissão dura, para quem gosta de competir. É uma responsabilidade enorme lidar com a imagem dos outros. Quando você lida com a sua [imagem], você corre os riscos de dizer uma bobagem ou não. É exagerada a capacidade de poder que a imprensa dá a gente. É um trabalho de sensibilidade, de buscar conhecer a alma do povo."

O publicitário diz que não ser mágico. "Marketing é uma ferramenta de apoio. Importante, mas nada mais do que isso." Lembrou pesquisa que saiu na Folha dizendo que o eleitor escolhe por emoção. "Faço isso há 20 anos. Por quê? Não sei. É a minha cara."

Duda negou que seja marqueteiro de si mesmo "Nunca fiz nada por estratégia nem pelo meu próprio marketing. Nunca corri atrás de dinheiro. O dinheiro é que correu atrás de mim."

Respondeu à velha questão sobre se eleger um candidato é semelhante a vender sabonete: "Não existe um público eleitor e um público consumidor. Existe um público, que pensa, que sofre, que tem ambições, expectativas. A velha polêmica: trabalhar para um candidato é a mesma coisa que vender um sabonete? Sim e não. O sabonete não fala, esta é a vantagem. Pode mudar o perfume. O candidato você não pode modificá-lo demais. Pode até ajeitá-lo com a roupa, fazer a barba direitinho. Mas não pode mudar tudo."

Obama x web

Duda procurou contestar o mito de que Obama foi eleito mais pela força da web do que pela TV. "Obama foi eleito pela internet? Não é verdade. Não temos nada lá para aprender. Eles é que aprenderam com a gente. Usaram um discurso emocional, Obama não atacou ninguém e o slogan deles foi o nosso aqui: a esperança venceu o medo. Como ele foi um fenômeno em tudo, ele virou um fenômeno na internet. Mas o dinheiro que eles arrecadaram na internet, eles colocaram na televisão."

Acredita que a internet trará para a eleição o público jovem. "Ele é arredio, mas vai participar, meio próximo da esculhambação, mas vai participar. A eleição chegou ao instrumento dele. Nas grandes cidades. Esta garotada vota, vai haver uma mudança. Qual é? Não sei exatamente."

Por: Plínio Fraga

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