MENU

Durval Barbosa diz a jornal ter entregue dinheiro "sujo" a deputada

Durval Barbosa diz a jornal ter entregue dinheiro "sujo" a deputada

Atualizado: Quinta-feira, 17 Março de 2011 as 9:59

O pivô do escândalo do chamado "mensalão do DEM" do Distrito Federal, Durval Barbosa, afirmou em entrevista publicada na edição desta quinta-feira (17) do jornal "O Estado de S.Paulo" que o dinheiro que ele entregou à deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF) é "sujo".

Um vídeo divulgado no dia 4 de março pelo site do jornal "O Estado de S. Paulo" mostra Jaqueline Roriz (PMN-DF) e o marido dela, Manoel Neto, recebendo R$ 50 mil das mãos de Durval Barbosa.

O vídeo não tem indicação de data, mas, segundo o site do jornal, foi gravado durante a campanha eleitoral de 2006, na sala de Barbosa, delator do esquema. Na ocasião, ele era diretor da Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central (Codeplan) durante o governo de Joaquim Roriz, pai da deputada.

Na entrevista, Durval afirma que "o dinheiro entregue a Jaqueline Roriz é oriundo das propinas dos contratos de informática do governo do Distrito Federal". Segundo Durval, o dinheiro entregue a Jaqueline faz parte da propina dos contratos de informática de empresas com a Codeplan, presidida por ele na gestão do ex-governador Joaquim Roriz.

Inquérito

Na última segunda (14), o Supremo Tribunal Federal determinou a abertura de inquérito para investigar o caso. O Conselho de Ética da Câmara recebeu nesta quarta-feira (16) representação para investigar a possível quebra de decoro parlamentar praticada pela deputada Jaqueline Roriz.

Alegando problemas de pressão, Jaqueline se licenciou na última segunda-feira (14) das atividades da Câmara por cinco dias. Ela divulgou nota na qual afirmou ter recebido dinheiro de Durval. Os recursos, segundo ela, teriam custeado a campanha para deputada distrital, em 2006, e não teriam sido registrados na prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral.

Vídeo

No vídeo, Jaqueline e Manoel Neto recebem R$ 50 mil das mãos de Durval Barbosa. Na entrevista concedida ao "Estado de S.Paulo", Barbosa afirma que a gravação com Jaqueline foi feita com intuito de mostrar a distribuição da propina dos contratos com o governo do Distrito Federal.

Na entrevista, Durval Barbosa negou que esteja guardando mais vídeos para fazer chantagem política. "Eu entreguei tudo ao Ministério Público. Está tudo com eles (promotores)", afirmou. Ele disse que vem cumprindo o acordo de delação premiada e que o vídeo com Jaqueline foi entregue há muito tempo. "Esse vídeo eu entreguei faz tempo".

Durval é a principal fonte de informação da investigação do Ministério Público e por isso está sob proteção policial. A afirmação dele de que a origem dos recursos é o esquema corrupto no DF contradiz a defesa da deputada de que o dinheiro que surge nas imagens não passa de doação "não contabilizada" à sua campanha eleitoral em 2006, uma espécie de caixa dois.

Investigação

Segundo a Polícia Federal, o mensalão do DEM foi um esquema de corrupção que envolveu pagamento de propina a deputados da base aliada, empresários e integrantes do governo do Distrito Federal. O suposto esquema foi desvendado após a deflagração pela PF, em novembro de 2009, da operação Caixa de Pandora.

A investigação levou à prisão e à cassação, no ano passado, do então governador José Roberto Arruda (atualmente sem partido; na época no DEM). O vice de Arruda, Paulo Octávio (sem partido, ex-DEM), assumiu o governo depois que Arruda pediu afastamento, mas renunciou para defender-se das acusações. Ambos sempre negaram envolvimento com o suposto esquema.

No ano passado, por conta da crise política, o Distrito Federal esteve ameaçado durante meses de intervenção federal. Após a renúncia de Paulo Octávio, em fevereiro de 2010, o então presidente da Câmara Distrital, Wilson Lima (PR), assumiu o governo.

Lima deixou o cargo depois que a Câmara elegeu para governador o então deputado distrital Rogério Rosso (PMDB). Ele concluiu o mandato iniciado por Arruda e permaneceu até a eleição de outubro, cujo ganhador foi Agnelo Queiroz (PT), atual governador.

veja também