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Economia solidária registra avanços no Ceará

Economia solidária registra avanços no Ceará

Atualizado: Segunda-feira, 24 Agosto de 2009 as 12

Uma das referências em economia solidária, o socioeconomista Marcos Arruda, fala sobre o tema e aponta experiências práticas bem-sucedidas no Ceará. Segundo ele, as experiências na área vêm crescendo em Fortaleza e não são mais restritas apenas a periferia

Para o socioeconomista e educador, Marcos Arruda, a economia solidária ou socioeconomia tem como valor principal o ser humano e seu o trabalho. Observa que a economia baseada no capital esvazia o sentido do trabalho porque o reduz a uma mercadoria. “O homem não vale mais pelo que cria, mas pelo que pode vender”, diz, considerando que o trabalhador é colocado como uma peça do mercado de trabalho que não existia a um século e meio e hoje é uma aberração.

Arruda, que esteve em Fortaleza neste fim de semana ministrando oficina, aponta duas experiências práticas ligadas a socioeconomia solidária. Uma é o Centro de Estudos, Articulação e Referência sobre Assentamentos Humanos (Cearah Periferia), uma organização não governamental sem fins lucrativos que atua na área de habitação e desenvolvimento comunitário local; a outra é o Banco Palmas.

Este último nasceu da Associação de Moradores do Conjunto Palmeira, um bairro popular, com cerca de 32 mil moradores, e trabalha a socieconomia de várias formas para desenvolver consumo consciente, produção em autogestão, incentivando trocas, oferecendo crédito sem garantia material e a circulação de dinheiro local, através da moeda social.

O socioeconomista destaca que essa é uma experiência que se multiplica e já saiu da periferia de Fortaleza, formando 12 outras unidades. Ressalta também a existência de 47 bancos comunitários no País e explica que esses empreendimentos envolvem mais de dois milhões de pessoas. Ainda sobre a disseminação da socioeconomia, afirma que existe uma rede espalhada pelos 27 estados brasileiras que pode ser consultada na internet (www.fbes.org.br) e iniciativas por todos os continentes.

Entre os avanços, contabiliza a criação da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), criada no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego pelo governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva. Considerado uma das referências em economia solidária, Marcos Arruda diz que é ainda há muito o que fazer e educar a população para o desenvolvimento de uma nova forma de fazer economia.

Destaca que a economia solidária é voltada ao desenvolvimento humano em todas as suas dimensões. O especialista estará de volta a Fortaleza no dia 28 de setembro, como um dos conferencistas do Seminário Novos Paradigmas de Desenvolvimento: Felicidade Interna Bruta, que será realizado no auditório da Faculdade de Direito, das 14h30min às 22 horas.

- Marcos Arruda é atualmente coordenador geral do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), membro do Instituto Transnacional, com sede em Amsterdã, e da equipe internacional de animação do Pólo de Socioeconomia Solidária, da Aliança por um Mundo Responsável e Solidário

- O socioeconomista Marcos Arruda que prefere chamar a economia solidária de economia social solidária, também integra a secretaria do Fórum de Cooperativismo Popular do Rio de Janeiro e tem publicações no Brasil e no Exterior, oferecendo elementos para a construção de fundamentos mais sólidos a uma nova práxis social. Entre outros livros, publicou “Tornar Real o Possível” (Vozes, 2006) e “Cartas a Lula: um outro Brasil é Possível (Documenta Histórica, 2006).

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