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'Ele amava o que fazia', diz viúva de motorneiro morto em bonde no Rio

'Ele amava o que fazia', diz viúva de motorneiro morto em bonde no Rio

Atualizado: Quinta-feira, 1 Setembro de 2011 as 4:06

"Ele amava o que fazia, dava a vida por esse bonde. Ele já estava aposentado, não tinha necessidade de trabalhar, mas dizia que se ficasse em casa morreria. Eu dizia para a gente curtir nossa neta, mas ele não queria ficar em casa", contou Dulce, a viúva do motorneiro Nélson Correa da Silva, que morreu no acidente com um bonde , em Santa Teresa, no Centro do Rio, no sábado (27). Ao todo, cinco pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas.

Emocionada, Dulce também disse que nunca levava problemas familiares para o marido, porque ele não gostava. "Eu nunca liguei para ele para dizer que minha filha estava com febre. Porque ele não gostava. Eu não atrapalhava o trabalho dele. Nós temos uma filha de 25 anos que é especial e agora com o que aconteceu com o pai dela, ela está sofrendo muito".

A viúva também comentou sobre o acidente.

"As pessoas estão dizendo que meu marido é o culpado. Eu não quero ouvir isso, não quero que joguem a culpa nele. Ele era tão cuidadoso, que o apelido dele era "tartaruga". Se ele não tivesse pedido para as pessoas pularem do bonde, mais pessoas teriam morrido. Ele está morto e morto não tem como se defender. Então, eu peço às leis que coloquem a imagem do meu marido como herói, não como criminoso",  disse Dulce.

Dulce também falou sobre o apoio que está recebendo dos moradores de Santa Teresa. "Eu agradeço a todos. Eles só têm me dado palavras de conforto, palavras amigas", disse.

De acordo com o filho do motorneiro, o pai nunca reclamou sobre o bonde. "Ele nunca reclamou sobre defeitos no bonde. Na verdade, ele nunca falava nada de ruim sobre os bondes. Aquilo ali era a vida dele, era tudo para ele. Ele tinha o trabalho como hobby, estava até fazendo um curso de inglês e estava muito entusiasmado. Meu pai era como se fosse o guia turístico de Santa Teresa", contou Nélson Junior.

Aniversário de 115 anos

Nesta quinta-feira (1º), o aniversário de 115 anos do bonde de Santa Teresa foi lembrado, com um protesto dos moradores do bairro. Vestidos de preto e com balões da mesma cor, moradores se reuniram na estação do bonde do Largo da Carioca com cartazes de protesto contra o estado precário dos bondes.

Dulce, viúva do motorneiro, e a filha Jenifer choram

durante protesto no Largo da Carioca

(Foto: Lilian Quaino/G1)

  O protesto acabou se tornando uma homenagem emocionada ao motorneiro Nélson Correa da Silva, que morreu no acidente. A viúva Dulce participou do evento e chorou muito, abraçada à filha Jenifer.

"Ele sempre foi um bom motorneiro, sempre conduziu o bonde com cuidado e devagar", disse ela.

Aos gritos de "herói, herói", os moradores sugeriram que a estação no Largo da Carioca passe a se chamar Estação Motorneiro Nélson Correa da Silva.

Elzbieta Mitkiewicz, presidente da Associação de Moradores de Santa Teresa (Amast), disse que na reunião realizada na noite de quarta-feira (31) moradores do bairro pediram a exoneração do secretário de Transportes, Júlio Lopes, e o cumprimento da sentença que há 2 anos condenou o estado a recuperar o sistema de bondes.

"Queremos 14 bondes funcionando perfeitamene. E sem privatização", disse Elzbieta.

De lá, os manifestantes seguiram para o Centro da cidade.

Feridos

No acidente, cinco pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas. Outras quatorze pessoas também feridas, seguem internadas. Quatro permanecem internadas nesta quinta-feira (1º) em hospitais da rede municipal. No Souza Aguiar, no Centro do Rio, estão três mulheres. Elas estão na enfermaria e o quadro é estável. Já no Hospital Miguel Couto, no Leblon, um homem tem estado estável.  Na quarta-feira (30), um menino de 3 anos que estava internado no CTI pediátrico do Hospital Souza Aguiar, recebeu alta.

Nos hospitais da rede particular estão internadas dez pessoas também feridas no acidente do bonde. No Hospital São Lucas, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, há três pessoas hospitalizadas. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o francês Arnold Darradein, de 28 anos, respira espontaneamente e está lúcido. Ele sofreu fraturas na bacia e na perna, além de escoriações. Daniele Abreu, de 30, tem fraturas na face, na bacia e com uma lesão cervical. Segundo os médicos, ela não tem indicativa de cirurgia. Já Gisely Moretis, de 23 anos, fraturou a mão direita e tem escoriações e está lúcida. Todos permanecem sem previsão de alta.

Paciente recebe alta

Quatro pessoas estão internadas no Hospital Copa D’or, em Copacabana. De acordo com a assessoria do hospital, os pacientes Sabrina e José Renato estão estáveis. Já a francesa Fanny Bertrande e a jornalista Daniella Dourado seguem internadas, estáveis e sem previsão de alta. Já o paciente Orlando Moreira Nunes, que também estava internado na unidade recebeu alta nesta quinta-feira (1º). No Hospital Quinta D’Or, um paciente está internado em quarto, com estado de saúde estável. Segundo a assessoria do hospital, ele tem previsão de alta para sexta-feira (2).

Uma vítima está internada na Rede Rio de Medicina, no Méier. Hugo Gustavo G. de Mello, está consciente e fala normalmente. Já Sebastião Pereira, que também estava no CTI da unidade, passou por uma cirurgia na face e foi transferido na terça-feira (30) para um hospital no Rio Grande do Sul.          

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