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'Ele morreu feliz', diz mãe de piloto vítima de acidente no interior

'Ele morreu feliz', diz mãe de piloto vítima de acidente no interior

Atualizado: Quinta-feira, 7 Julho de 2011 as 4:57

Mãe de um dos pilotos mostra foto do filho (Foto:

Juliana Cardilli/G1)

  A mãe do tenente André Luiz Franchi Grigoletto, um dos integrantes da Academia da Força Aérea de Pirassununga, no interior de São Paulo, que morreram após um acidente envolvendo dois aviões nesta quarta-feira (6), disse durante o velório do filho, na manhã desta quinta-feira (7), que ele "morreu feliz". Segundo Sueli Aparecida Franchi, de 45 anos, ele manifestava seu desejo de ser piloto desde os 4 anos de idade.

“Ele estava bem, estava muito feliz com o que ele fazia. Ele morreu feliz”, afirmou Sueli. “Até agora eu não acredito ainda que é ele que está ali, fechado, porque eu não vi meu filho. Mas foi o que ele escolheu, essa profissão. Desde 4 anos de idade ele falava ‘mãe, eu vou ser cadete, vou ser piloto’, e ele cresceu com essa determinação de ser piloto.”

Grigoletto tinha 29 anos, estava desde 2000 na Força Aérea e tinha um filho de 4 anos. Era casado havia seis anos com a professora Andrea Grigoletto, de 30 anos. “Eu nunca tive preocupação, eu sempre tive uma segurança. É a profissão deles, a gente sabe como é”, disse ela, no velório.     O piloto foi velado na Academia desde a madrugada desta quinta junto com os corpos das outras três vítimas do acidente – os capitães Tibério César Corvello Vitola, do Rio Grande do Sul, e Alex Araújo Affonso Rego, do Rio de Janeiro, e o tenente Jamil Nazif Rasul Neto, também do Rio de Janeiro. Os três corpos já foram levados por aviões da Força Aérea para suas cidades natais. O enterro de Grigoleto está marcado para as 16h30 desta quinta no Cemitério de Pirassununga.

O acidente

O acidente aconteceu logo após os T-25 decolarem em um voo de treinamento para uma apresentação prevista para ser realizada em uma formatura na próxima sexta-feira (8) na AFA. As aeronaves colidiram quando estavam lado a lado, ainda se agrupando para a simulação.

Os aviões caíram em um canavial que fica em uma fazenda. Eles estavam a cerca de 200 metros do chão quando ocorreu a queda. Outros dois aviões participavam do treinamento - os pilotos já prestaram depoimento.

As quatro vítimas eram instrutores já formados. Todos tinham mais de mil horas de voo, segundo a Força Aérea. O voo no qual aconteceu o acidente era comum, realizado quase que diariamente, de acordo com a Academia. O setor interno de investigações da Academia e o Ceripa IV já iniciaram as investigações sobre as causas do acidente. Um laudo com os resultados deve ser apresentado em 30 dias.

Cuidado

De acordo com a mãe de Grigoleto, seu filho era muito criterioso e cuidadoso. “Ele zelava muito pela segurança dele, pela segurança dos outros. Tudo na vida dele sempre foi feito com muito empenho, com muita vontade, sempre pensando nos outros também”, contou Sueli, que falou pela última vez com o filho no domingo (3). “Eu falei com ele no domingo de manhã, estava tudo bem, como sempre. Era uma pessoa que sabia o que queria da vida, tinha tudo determinado, tudo certinho. Estava tudo bem com ele, ele estava muito feliz que na sexta-feira ia ter o voo de formatura da outra turma.”

Mesmo sabendo dos cuidados do filho, ela tinha medo da profissão escolhida por ele. “Eu sempre ligava quando via um acidente. Ele falava ‘mãe, você é boba. Eu posso estar andando na rua e um avião cair em cima de mim também. Todo mundo vai morrer um dia’. Ele era uma pessoa forte e preparada. Acredito que eles são preparados para isso, porque eles escolheram isso, voar”, afirmou.

Corpos foram velados na Academia da Força Aérea (Foto: Juliana Cardilli/G1)        

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