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"Ele vai ser meu parceiro", diz Serra sobre vice Indio da Costa

"Ele vai ser meu parceiro", diz Serra sobre vice Indio da Costa

Atualizado: Quinta-feira, 1 Julho de 2010 as 12:03

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou nesta quarta-feira (30) que o deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ), indicado para vice em sua chapa, é ''um político da nova geração'', que, segundo ele, irá trazer uma contribuição do ''que tem de mais jovem e renovador na política''.

''Venho com muita satisfação para apresentar o nosso candidato a vice na coligação PSDB, DEM, PPS e PTB, uma coligação para o Brasil. Quero dizer que o nosso Indio é um político da nova geração. É um político jovem, mas que tem experiência na vida pública. Apresentamos uma novidade que é sinal de renovação e esperança para o país. Ele vai ser meu parceiro'', afirmou Serra.

O candidato tucano chegou por volta de 18h30 ao hotel onde o DEM realizou a convenção nacional que sacramentou a aliança com os democratas e referendou o nome do deputado federal Indio da Costa (DEM-RJ) para vice no projeto tucano. Foi a primeira entrevista de Serra ao lado de seu novo colega de chapa.

Serra disse conhecer Indio de encontros no Rio de Janeiro. ''Estive com ele no Rio de Janeiro. Conheço o Indio. O nosso vice vai fazer o contrário de se esconder, vai se mostrar, debater'', disse. ''Já tendo vice, vou poder ter mais tempo para responder perguntas sobre o que eu vou fazer pelo Brasil, do que responder perguntas de vice'', afirmou.

Sobre eventuais sequelas criadas na relação com o DEM pelo impasse na escolha do vice, o presidenciável tucano disse que todo o episódio foi superado. ''Não ficou sequela. A gente tem que olhar para a frente. Às vezes, num processo democrático, o tipo de negociação que a gente faz, não há outra moeda a não ser a negociação. Essa é a nossa moeda de troca''.

Serra também falou de Alvaro Dias, o primeiro indicado para ser seu vice, afastado da disputa devido à resistência do DEM. ''Tínhamos uma proposta de alguém muito preparado, qualificado, que envolvia uma combinação política em um estado. Era alguém que dentro da lógica política apresentava um componente interessante naquela formação'', justificou Serra.

Oficializado

A indicação de Costa foi aprovada por aclamação pelos integrantes do DEM, por volta de 16h desta quarta. A aprovação ocorreu pouco mais de uma hora depois de Maia ter anunciado na capital paulista a opção pelo deputado carioca. Serra e o presidente nacional do DEM não participaram da convenção, porque estavam viajando de São Paulo para Brasília. O encontro foi comandado pelo vice-presidente do partido, deputado ACM Neto (BA).

Em seu primeiro discurso como companheiro de chapa de Serra, Costa revelou ter se surpreendido com a indicação para o posto de vice-presidente no projeto tucano e afirmou que aceitaria a ''missão'' com orgulho: ''É com muito orgulho que aceito essa tarefa em nome do Democratas. Foi surpresa pra vocês, mas foi surpresa para mim também''.

Indio da Costa disse que ''não tinha como recusar'' o convite e classificou Serra como ''o mais preparado para governar o país''. Costa criticou o ''loteamento da máquina pública'' no governo federal e cunhou o slogan de Serra: ''O Brasil pode mais''.

Na fala rápida, de cerca de cinco minutos, Costa agradeceu ao ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia (DEM), responsável por tê-lo lançado na política, e outras lideranças do partido.

Para o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), a escolha de Costa, deputado de 39 anos, foi o ''fator de novidade'' da campanha tucana e poderá ser utilizado para aproximar a juventude de Serra.

''Em campanha, vale muito a simbologia. Ele [Indio da Costa] é a simbologia da juventude. Ele é cara limpa, é ficha limpa, é bonitão e ocupou um espaço que nenhuma candidatura ocupou. Ele vai reunir a juventude do Brasil'', resumiu o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).

Polêmica

O impasse em torno do candidato a vice na chapa do presidenciável José Serra foi encerrado nesta quarta depois de sucessivas negociações entre democratas e tucanos. A crise na aliança entre os dois partidos eclodiu no dia 25 de junho, quando o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, anunciou em seu Twitter que o PSDB havia decidido indicar os senador tucano Alvaro Dias (PR) para a vaga de vice. Principal aliado do projeto tucano, o DEM reivindicava o posto e foi surpreendido pela confirmação pela cúpula do PSDB da indicação de Dias.

O senador paranaense teve o nome vetado pelo DEM em reunião do presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, com Serra e líderes tucanos. Realizado na madrugada desta quarta, em São Paulo, o encontro encerrou a polêmica e pacificou a aliança em torno de Serra ao decidir pela escolha de Costa.

Como forma de demonstrar que a retirada de sua indicação não desgastou a relação com o DEM, o senador Alvaro Dias foi ao encontro de Costa e de Serra no hotel, em Brasília, onde a dupla concedeu entrevista.

''Temos que reunir forças. Não tenho mágoas. Agora vamos trabalhar para eleger Serra presidente do Brasil'', afirmou Dias. O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), também acompanhou Dias.

Biografia

Antônio Pedro de Siqueira Índio da Costa tem 39 anos, nasceu no Rio de Janeiro e está em seu primeiro mandato como deputado federal. É bacharel em Direito pela Universidade Cândido Mendes, com especialização em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele se filiou ao antigo PFL, atual DEM, em 1995. Saiu da legenda em 1999, junto com Cesar Maia, para se filiar ao PTB. Dois anos depois seguiu os passos de Maia de volta ao PFL.

Em 1993, primeiro mandato de Cesar Maia na prefeitura do Rio, foi assessor do gabinete do Prefeito. Foi secretário municipal de Administração nos outros dois mandatos de Maia, em 2001 e 2005. Foi três vezes vereador do Rio de Janeiro antes de se eleger deputado federal em 2007. Índio da Costa foi o relator do grupo de trabalho que analisou o projeto ficha limpa, que impede as candidaturas de políticos com condenações judiciais em órgãos colegiados.

Por Robson Bonin

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