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"Eles entraram e começaram a atirar", conta brasileira

"Eles entraram e começaram a atirar", conta brasileira

Atualizado: Terça-feira, 1 Junho de 2010 as 9:15

A brasileira Iara Lee, que estava na frota interceptada por forças israelenses a caminho da Faixa de Gaza nesta segunda-feira, disse que só ouviu os tiros durante a abordagem que terminou com pelo menos nove mortes.

Iara está presa na cadeia da cidade de Beersheva, no sul de Israel, a 80 km de Jerusalém. Ela está presa e tem ajuda da Embaixada do Brasil em Israel.

Em entrevista por telefone a Ari Peixoto, ela disse que os ativistas já esperavam alguma confrontação com tropas de Israel.

''Foi uma coisa surpreendente porque foi no meio da noirte, na escuridão, em águas internacionais, porque a gente sabia que ia haver uma confrontação, mas não nas águas internacionais'', disse ela.

''A primeira tática deles foi cortar todas as nossas comunicações por satélite, aí eles atacaram'', contou.

Ela relatou que, na hora em que os israelenses começaram a invadir, eles mandaram todas as mulheres para a parte de baixo. ''O máximo que eu presenciei foram os tiros'', disse. ''Eles entraram e começaram a atirar nas pessoas.''

Ela contou que os soldados disseram que os ativistas eram terroristas.

Iara não quis deixar o país voluntariamente e aguarda para ser deportada. Ela afirmou que planeja voltar ao Brasil e depois voltar aos EUA e continuar as mobilizações.

''A verdade é que a justiça não será atingida de maneira brusca e temos de continuar trabalhando'', disse.

Deportação

Quarenta e cinco dos 686 passageiros detidos aguardavam deportação nesta terça-fera.

''Um total de 686 passageiros estavam a bordo dos barcos interceptados e, deste efetivo, 45 estão em vias de expulsão'', afirmou à rádio militar Yossi Edelstein, alto funcionário do ministério do Interior.

''Uma parte dos detidos se recusou a apresentar identificação. Protestaram, se jogaram no chão, com uma atitude provocadora'', disse. ''Os que aceitaram ser expulsos sem problema foram levados ao aeroporto Ben Gurion de Tel Aviv.''

Entre os passageiros estão cidadãos da Malásia, Indonésia, Marrocos, Argélia, Paquistão, Kosovo, Iêmen e muitos turcos, destacou a mesma fonte. A maioria dos países citados não têm relações diplomáticas com Israel, com exceção da Turquia.

Edelstein, no entanto, não divulgou a nacionalidade ou identidade dos nove passageiros mortos no ataque.

A rádio militar informou que os passageiros eram originários de 38 países e que serão expulsos nas próximas 72 horas, depois de interrogatórios na presença de um juiz.

A emissora completou que 480 passageiros estavam detidos em uma prisão do sul de Israel e que os demais seriam transferidos do porto de Ashdod, para onde foram levados os barcos da flotilha, para a penitenciária.

A polícia está em alerta diante da prisão de Beersheva, para impedir qualquer protesto.

Ao mesmo tempo, 45 passageiros, em sua maioria turcos, continuam hospitalizados, assim como sete soldados.

Entre os detidos está Katab Jatib, presidente da mais importante organização de árabes israelenses, que convocou um dia de greve e protestos em Israel.

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