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Em 4 meses, polícia apreendeu 56 balões e prendeu 13 pessoas no RJ

Em 4 meses, polícia apreendeu 56 balões e prendeu 13 pessoas no RJ

Atualizado: Segunda-feira, 21 Junho de 2010 as 1:45

Desde abril, quando teve início uma operação para coibir a soltura de balões, o Batalhão de Polícia Florestal e do Meio Ambiente (BPFMA) prendeu 13 pessoas e apreendeu 56 balões no estado do Rio.

No último fim de semana, um incêndio no Morro dos Cabritos, na Zona Sul, destruiu uma área de mata equivalente a quatro estádios do Maracanã . Segundo bombeiros do quartel de Humaitá, há indícios de que o fogo tenha sido causado após a queda de um balão na mata. O Corpo de Bombeiros informou que não há mais focos de incêndio.

De acordo com o coronel Márcio Fernandes, do BPFMA, além das festas juninas, a Copa do Mundo também faz aumentar esse tipo de crime. “Eles utilizam o balão para festejar campeonatos”, afirmou Fernandes. Em 2009, foram apreendidos 68 balões. Para realizar as apreensões, a polícia se baseia em informações do Disque-Denúncia e também em ligações que recebe diretamente da população.

A Lei 9.605 diz que provocar incêndio em florestas ou matas dá cadeia de dois a quatro anos. Já a pena para quem fabricar, vender, transportar ou soltar balões é de 1 a 3 anos, ou multa de R$ 1 mil a R$ 10 mil, ou ambas as penas, conforme o caso.

“O estado do Rio possui uma vasta mata florestal preservada e o balão pode provocar incêndio em toda a nossa mata. Além do patrimônio público, pode destruir o patrimônio privado, mutilando vidas ou efetuando lesões para sempre”, afirmou o coronel.

Segundo ele, as áreas onde mais são feitas apreensões de balão são: Campo Grande, na Zona Oeste; Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense; Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio.

De janeiro a julho deste ano, o Disque-Denúncia recebeu 236 denúncias de soltura de balão. Em 2009, foram 660 denúncias durante todo o ano.

Delegacia estoura fábricas de balões

A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) informou que realiza mais trabalhos investigativos, por isso, a ação policial é mais voltada para estouro de fábricas. Só em 2010, a polícia fechou sete fábricas de balões, sendo que cada uma armazenava cerca de 50 balões.

"O trabalho é repressivo e preventivo, porque é mais elaborado. No inquérito policial, a gente foca as fábricas e foge de grupos de baloeiro. Os baloeiros vêm se especializando. Como a repressão é constante, eles tentam fugir dessa fiscalização, então eles terceirizam ações, você encontra fábrica que faz a bucha, a outra faz armação. O nosso intuito é cessar qualquer possibilidade de subida de balão", afirmou a titular da DPMA, delegada Juliana Emerique.

Ela afirmou que a maioria das pessoas presas por este crime acaba pagando a fiança. Entretanto, a delegacia afirma que não há muitos casos de reincidência.

As investigações também são feitas com base em informações do Disque-Denúncia e ainda via internet, como, por exemplo, no microblog Twitter e no site de relacionamento Orkut, onde os baloeiros informam sobre a soltura de balões. Segundo a delegacia, os locais das fábricas são de difícil acesso e o hobby é caro. Um balão grande chega a custar R$ 60 mil.

De acordo com a assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros, a queda de balões pode provocar, além de desastres ambientais, quebra de linha de transmissão, interrupção de tráfego aéreo com risco de acidente, e danos mais graves, como incêndio em residências e mortes.

“Isso tudo causado por um grupo que gosta de trabalhar na clandestinidade”, afirmou o relações públicas do Corpo de Bombeiros coronel Sabbas.

Prejuízos na rede elétrica

Nos últimos cinco anos, a Light, concessionária de energia elétrica, registrou 90 ocorrências causadas por balões nas linhas de transmissão e de distribuição e nas subestações. Com esses acidentes, 439 mil clientes ficaram prejudicados.

Segundo a companhia, as áreas mais atingidas pelos balões ficam nas Zonas Oeste e Norte da cidade, além da Baixada Fluminense. Bangu, Campo Grande e Jacarepaguá, na Zona Oeste, lideram o ranking. Os três bairros juntos deixaram 74 mil clientes sem energia de 2006 até o dia 24 de maio deste ano.

Em caso de acidente com a rede elétrica, a Light deve ser acionada, gratuitamente, através do número 0800 021 0196. Para informações sobre soltura ou fábrica de balões, o telefone do Disque-Denúncia é o 2253-1177. E o Batalhão Florestal também recebe informações através dos números 2701-8262 ou 2701-0832

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