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Em 7h, jovem percorre 5 hospitais do Rio em busca de atendimento

Em 7h, jovem percorre 5 hospitais do Rio em busca de atendimento

Atualizado: Terça-feira, 20 Setembro de 2011 as 8:15

Após cair da laje de sua casa em Xerém, na Baixada Fluminense, e bater a cabeça, Gabriel Santos de Sales, de 21 anos, percorreu 88 km numa ambulância em busca de atendimento em hospitais públicos do Rio. Durante 7 horas, o jovem foi levado para cinco unidades de saúde até conseguir atendimento no Hospital Salgado Filho, no Méier, na Zona Norte da cidade. Gabriel consertava a antena de internet, por volta de 16h30 de segunda-feira (19), na laje de casa, quando se desequilibrou, caiu e bateu a cabeça. A família conta que, a partir daí, começou uma longa busca por uma vaga no sistema público de saúde.

Do posto de saúde de Xerém, Gabriel foi levado para o Hospital Adão Pereira Nunes, em Saracuruna. “Ali eles falaram ‘não vão trazer ele pra cá não, vão trazer gente para morrer aqui?’”, contou a mãe de Gabriel, Maria dos Santos Bezerra.

O destino seguinte foi o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, na Zona Norte da cidade. Após mais uma tentativa frustrada, encaminharam o jovem para o Hospital Souza Aguiar, no Centro. “Chegando no Souza Aguiar, a mesma coisa. Ninguém quis receber meu irmão, rejeitado total”, disse o irmão de Gabriel, Rafael dos Santos Sales.

Sete horas de espera

Sem alternativa, o destino foi o Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, no subúrbio, onde, segundo a família, Gabriel chegou a fazer exames, mas não pôde ficar internado. Já eram 23h quando Gabriel chegou ao Hospital Salgado Filho, no Méier. Imagens feitas por um dos irmãos mostram que, no começo da madrugada desta terça-feira (20), Gabriel ocupava um leito da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital.

“Eu não quero que meu filho morra por falta de socorro. É falta de socorro, porque passar por cinco hospitais e não ser aceito em nenhum é um absurdo”, lamentou o pai de Gabriel, Pedro Paulino de Sales.

Representantes das Secretarias estadual e municipal de Saúde não foram encontrados pela produção do Bom Dia Rio para comentar o caso.

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