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Em 9 dias de conflito, RJ teve menos mortes do que em SP em 2006

Em 9 dias de conflito, RJ teve menos mortes do que em SP em 2006

Atualizado: Terça-feira, 30 Novembro de 2010 as 4:04

Nove dias de conflito no Rio de Janeiro, completados nesta segunda-feira (29), registraram menos mortes do que em São Paulo, em um mesmo número de dias em 2006, segundo dados oficiais. A comparação indica também mais armas apreendidas no Rio e um número semelhante de prisões e de veículos queimados nos dois estados.

Nos dois casos, as ações de criminosos se seguiram a uma reação das forças de segurança. No Rio, o primeiro registro de carros queimados é no domingo, dia 21.   Em São Paulo, os ataques organizados por uma facção criminosa começaram em 12 de maio de 2006.

Segundo balanço divulgado pela Polícia Militar do Rio de Janeiro na segunda (29) à noite, houve 37 mortos, 205 armas apreendidas, 123 prisões e 100 veículos queimados (houve também 2 carros queimados no domingo, 21, totalizando 102 ), de segunda (22) até as 19h30 de segunda (29). Não houve registro de morte ligada ao conflito no dia 21. A PM tem atualizado esses dados neste link .

A Secretaria da Segurança de São Paulo registra, de 12 a 20 de maio de 2006, 87 mortes, 149 armas apreendidas, 125 prisões e 82 ônibus incendiados. Veja no quadro ao lado mais detalhes.

Os números de mortes foram atualizados pela secretaria na semana passada, a pedido do G1 , com dados consolidados. Os demais dados de São Paulo constam de balanços divulgados em 2006.

O número de mortes em São Paulo pode ser maior. Um conta divulgada no ano passado por uma organização não-governamental indica que houve mais de 500 mortes ( leia reportagem ).

O que dizem hoje o governador de SP e o ministro da Justiça da época

Governador de São Paulo em 2006, o atual secretário de Negócios Jurídicos da Prefeitura de São Paulo, Claudio Lembo, afirma que acompanha "com atenção, mas à distância" os eventos no Rio de Janeiro. Para ele, "são situações complexas e diferentes", embora em São Paulo a crise tenha sido um pouco pior. "Aqui (em SP) foram quatro ou cinco dias de conflito, no máximo. Aconteceu no sábado e na segunda-feira tínhamos terminado tudo. O que foi difícil foi nos presídios. Aí demorou um pouco mais, porque eles (presos) quebraram tudo e teve de recompor todos eles. Acho que em São Paulo foi um pouco pior", afirma.

Lembo, que na época culpou a "elite branca" pela crise da segurança pública em São Paulo, disse ao G1 que os dois eventos, no Rio e em São Paulo, têm, em comum, a "criminalidade e a miséria, que deu nessa tragédia toda". Para ele, é necessário que haja "uma revisão da política social do Brasil. Que haja uma melhor distribuição da riqueza."   Para o advogado Márcio Thomaz Bastos, ministro da Justiça em maio de 2006, “a diferença é que nesta última (no Rio) quem tomou a iniciativa foi o poder público e naquela (2006) houve mais uma atitude reativa contra o crime organizado dentro dos presídios.” O ex-ministro afirma que é difícil fazer a comparação, mas acredita que em termos de impacto o conflito no Rio de Janeiro é maior do que o registrado em São Paulo.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo, Luiz Flávio Borges D’Urso, observa que enquanto em São Paulo houve uma tentativa do crime organizado de enfrentar e desmoralizar o poder público, prontamente respondida, na opinião dele, no Rio de Janeiro as forças policiais recuperam um espaço que estava dominado pelo tráfico enfrentando condições geográficas desfavoráveis e o poderio bélico dos criminosos.

“O Rio tem uma topografia que favorece os guetos, espaços onde o Estado não conseguia chegar”, afirmou. “São Paulo nunca teve um território dominado pelo tráfico e no Rio o poderio bélico dos criminosos é maior”, afirmou D’Urso.    

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