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Em "Avatar: Special Edition", James Cameron oferece mais detalhes de Pandora

Em "Avatar: Special Edition", James Cameron oferece mais detalhes de Pandora

Atualizado: Segunda-feira, 11 Outubro de 2010 as 11:13

Rever um filme do qual a gente gosta muito é como reencontrar um velho amigo - aquilo que inspirou a ligação em primeiro lugar continua lá, mas nunca se sabe o que aconteceu com ele, ou conosco no intervalo. No caso de "Avatar: Special Edition", lançado este mês aqui nos EUA, o amigo engordou um pouquinho: oito minutos e trocados de imagens foram acrescentados por James Cameron à versão original que foi o mega-arrasa-quarteirão do final de 2009.

Cameron adora fazer isso - na verdade, ele é um dos pioneiros, senão o pioneiro da tendência, hoje tão comum, de reeditar um filme para o lançamento em plataforma de consumo doméstico. Alguns dos primeiros títulos a receber este tratamento de engorda foram os seus "Alien" (nos cinemas em 1986, special edition em DVD, 1992) e "O Segredo do Abismo" (nos cinemas em 1989, edição especial em DVD em 1992 e 1999). Logo depois, filmes tão variados quanto "Apocalypse Now", " O Exorcista " e " Star Wars " receberam novas versões com imagens adicionais.

Mais nem sempre é melhor - é o que se pode aprender revisitando alguns destes velhos amigos em suas novas roupagens. Exceções importantes são " Blade Runner ", finalmente restaurado à sua visão inicial, fiel à obra de Philip K Dick, em sua “special edition” de 2007; e, em geral, os filmes de Cameron. Os pioneiros "Alien" e "O Segredo do Abismo" adquiriram uma dimensão de fato maior e mais complexa nas versões expandidas - entre outras coisas, um final inteitamente novo no caso de "O Segredo do Abismo", um olhar sobre a psicologia de Ripley como mãe sem filhos, no caso de "Alien".

O "Avatar: Special Edition" que está nas telas - em versão normal e IMAX - ainda não é a forma mais longa do filme, que sairá apenas em BluRay/DVD no final do ano depois que Cameron, esperto em ouvir e compreender os desejos da plateia, tiver uma boa medida se (em suas palavras) os fãs querem “saber mais sobre o mundo de Pandora”.

De fato, o adendo é curto comparado com, por exemplo, "Alien" - que recebeu mais 17 minutos - ou "O Segredo do Abismo" - mais 28 minutos. Os quase 9 minutos a mais de "Avatar" dão sobretudo mais atmosfera - Sully ( Sam Worthington ) vendo pela primeira vez uma manada de “sturmbeests” (ou tailoang em na’vi), gigantescos quadrúpedes herbívoros, meio dinossauro, meio rinoceronte; sua primeira refeição na aldeia na’vi; e a tão falada “cena de amor” entre ele e Neytiri (Zoe Saldana), bem menos reveladora do que se pode esperar (dica: envolve cabelos).

As adições mais notáveis são as cenas adicionais que oferecem contornos mais complexos para o personagem do guerreiro Tsu’Tei (Laz Alonso), e uma espetacular sequência de caçada aos sturmbeests-– que devia servir como lição a todo mundo que está fazendo 3D de quinta categoria. É fácil concluir porque os dois momentos-sturmbeest ficaram de fora da primeira versão de Avatar - certamente para atenuar as esperadas comparações com "Dança com Lobos". Os tailoang são certamente os tatanka, ou bisões, de Pandora…

Vale a pena revisitar o amigo? Quem não gostou da primeira vez vai continuar não gostando - nada, essencialmente, mudou; pelo contrário, a crença de Cameron no cinema-espetáculo está ainda mais enfatizada. Para os fãs, a caçada aos sturmbeests, sozinha, vale uma boa parte do ingresso. Ou esperem a outra versão desta obra em progresso, no final do ano.

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