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Em carta a Dilma, sindicalista cobra mudanças em relação com governo

Em carta a Dilma, sindicalista cobra mudanças em relação com governo

Atualizado: Sexta-feira, 17 Junho de 2011 as 9:15

Em carta endereçada à presidente Dilma Rousseff, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, Miguel Torres, cobrou hoje reformas no sistema de relações sindicais.

Segundo o sindicalista, a última vez que o Executivo conduziu reuniões para discutir essas questões foi em 2004, no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Torres ressaltou que falta ao governo estabelecer um piso nacional para "correção das injustiças e assimetrias salariais" que distorcem a livre competição de mercado entre empresas privadas. Como exemplo, lembrou que Fiat lidera as vendas do setor por quase uma década, mas adota uma "política de salários aquém" de outras montadoras, como GM, VW, Renault, Toyota e Volvo.

"Significa que a Fiat coloca seus veículos no maior mercado consumidor do país, a região Sudeste, com preços altamente competitivos a partir de uma política de arrocho salarial combinada com uma prática de rotatividade de emprego", declarou Torres.

De acordo com ele, a situação só não é pior porque há entidades representativas nas fábricas que lutam para melhorar as condições dos trabalhadores. O sindicalista observou que a guerra fiscal entre Estados também traz efeitos negativos para a economia. Para atrair empresas, os governos estaduais costumam oferecer incentivos fiscais a partir da diminuição do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

"As empresas que hoje pagam mais e oferecem melhores condições são as que mais sofrem com processos deste tipo", disse Torres ao enfatizar que companhias que conquistaram o benefício concorrem em licitações governamentais com outras que não tiveram as mesmas benesses.

Neste sentido, o sindicalista entende que o governo federal deveria agir como um mediador.

Em outro trecho da carta, Torres questiona reportagens veiculadas na imprensa que informam que o Exército teria adquirido caminhões e uniformes da China por conta do preço mais baixo.

"Aí não entendemos mais nada, considerando que estamos diante de um governo de extração popular e que tem no desenvolvimento do mercado interno uma de suas aspirações mais louváveis", afirmou.

Torres ainda criticou a importação de carros chineses e coreanos. "Estamos exportando empregos de qualidade em detrimento das ocupações 'aperta parafuso' que cada vez mais a indústria automobilística nos concede em detrimento dos bons empregos gerados no Japão, Coréia e Europa", acrescentou o sindicalista, sugerindo para a presidente que convoque as centrais e as montadoras para uma reunião mediada pelo governo.

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