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Em carta, Itália diz que caso Battisti não prejudica relação com Brasil

Em carta, Itália diz que caso Battisti não prejudica relação com Brasil

Atualizado: Sexta-feira, 21 Janeiro de 2011 as 3:54

O Palácio do Planalto confirmou nesta sexta-feira (14) que recebeu a carta do presidente italiano, Giorgio Napolitano, sobre o ex-ativista Cesare Battisti. De acordo com a Presidência, na correspondência, Napolitano "expõe as razões da Itália pela extradição de Battisti", mas também destaca que a questão está "circunscrita" ao âmbito jurídico e não prejudicará as relações "históricas" entre os dois países.

A carta chegou ao Planalto na sexta-feira passada (14), mas precisou ser traduzida antes de ser entregue a presidente. Segundo informações da Presidência, Dilma não enviou uma resposta ao governo italiano. O inteiro teor da correspondência não foi divulgado pelo governo brasileiro.

De acordo com jornais italianos, a carta diz que a "não extradição de Battisti é um motivo de desilusão e amargura para a Itália", onde ele é condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, quando integrava o grupo de extrema-esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

"Trata-se de uma necessidade de justiça ligada ao empenho das instituições democráticas do meu país e da coletividade nacional, que foram capazes de reagir à ameaça e aos ataques do terrorismo, conseguindo derrotá-lo segundo as regras do Estado de Direito", disse Napolitano.

Para o presidente da Itália, "não são aceitáveis remoções, negociações ou leituras românticas dos derramamentos de sangue daqueles anos, e as responsabilidades não podem ser esquecidas".

No último dia de seu mandato, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu manter o italiano no Brasil, acatando um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU).

A Itália, no entanto, não desistiu de conseguir a extradição de Battisti e continua com esforços jurídicos e diplomáticos.

Na quinta, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução que pede para o governo brasileiro rever sua decisão. O texto foi aprovado por 86 votos a favor, um contra e duas abstenções na cidade francesa de Estrasburgo.

Por: Nathalia Passarinho

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