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Em meio a destroços, moradores de favela incendiada buscam pertences

Em meio a destroços, moradores de favela incendiada buscam pertences

Atualizado: Segunda-feira, 12 Julho de 2010 as 11:27

Crianças correndo de um lado para o outro e diversos adultos trabalhando pesado. Seria um dia normal na favela Tiquatira, na Penha, Zona Leste de São Paulo, se o trabalho na manhã desta segunda-feira (12) não fosse para tentar salvar e recuperar o pouco que restou de cerca de 100 barracos incendiados no local na noite do domingo (11). De um lado para o outro, homens carregavam carcaças de eletrodomésticos para uma pilha, que depois seria encaminhado para o ferro-velho. E mulheres entravam no que restou de suas casas para tentar achar algum de seus pertences – nem que fosse apenas um prato ou um talher. Desolado, o ambulante Antonio Carlos Ribeiro, de 35 anos, se postava ao lado do que restou de sua casa, guardando o pouco do que encontrou sem estar destruído: uma cadeira, parte de um colchão, alguns cobertores e três pratos. Ele morava no local com a mulher, uma cadela e cinco filhotes nascidos há um mês. Ele, a mulher e a mãe dos cachorrinhos saíram intactos. Os filhotes, entretanto, não sobreviveram. “Eu estava dentro de casa quando o pessoal começou a gritar fogo. Quando saí quase não dava mais para passar pelas chamas. Não peguei nada, nem documento, nem os animais. Só sobrou a vida”, contou ele, que voltou ver o estrago já de madrugada, por volta das 5h, quando a temperatura do que restou da casa já tinha baixado. “Não tinha para onde ir, então esperei aqui. Quando cheguei, a cachorra estava debaixo do que sobrou da cama, escondida. Dos filhotes, não escapou nenhum.”

Vizinha do ambulante, a faxineira Silvana Fortunato, de 44 anos, tentava contabilizar com os dois filhos o prejuízo – que, em sua casa, foi total. “Sobraram só os tijolos e parte da parede ainda caiu. Estava dormindo quando o fogo começou, só deu tempo de pegar os documentos e sair. Minha sobrinha que me chamou, devo minha vida a ela”, contou emocionada a mulher. “Hoje voltei e só achei um monte de moeda queimada. Não sobrou mais nada, nem meu sonho de sair daqui, conquistar um lugar melhor para morar.”

Com as mãos e as pernas sujas das cinzas, o estudante Wesley dos Santos Oliveira, de 18 anos, chamava a atenção entre as dezenas de pessoas que acompanhavam o trabalho da Defesa Civil ou tentavam recuperar alguma coisa. Ele seguia de um lado para o outro carregando carcaças de eletrodomésticos, como geladeiras e fogões que foram queimados, montando uma pilha para que depois tudo fosse levado para um ferro-velho. Onde ficava sua moradia não há mais nada além de cinzas. Ele estava na casa da namorada, na região do Jardim Pantanal, também na Zona Leste, quando recebeu um telefonema de sua mãe avisando que um balão havia caído na favela, que pegava fogo. O jovem que morava em um barraco sozinho, foi correndo para o local, mas chegou quando o fogo já estava apagado e tudo destruído. “Não tinha mais nada, só o fogão e a geladeira queimados. Não consegui salvar documentos, roupas. Ainda bem que a casa da minha mãe não queimou, posso ficar com ela”, contou o jovem.

Famílias cadastradas

De acordo com a Subprefeitura da Penha, todas as famílias que vivem na favela Tiquatira já foram cadastradas em programas habitacionais do Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). No total, cerca de 100 casas foram incendiadas – de acordo com a subprefeitura, 60 famílias se cadastraram para receber o kit com colchão e cesta básica. Nenhum dos cadastrados precisou ser levado para abrigos da Prefeitura. Todos teriam preferido ficar na casa de amigos e parentes.

As causas do incêndio ainda são investigadas. A hipótese da queda de um balão ou de uma vela são apontadas por moradores como causas para o início do incêndio. No total, seis pessoas precisaram de atendimento médico – um homem teve uma fratura no braço e as outras pessoas sofreram intoxicação ou passaram mal. As causas do incêndio ainda são investigadas.

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