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Em nova estratégia, campanha inverte discursos de Dilma e Lula

Em nova estratégia, campanha inverte discursos de Dilma e Lula

Atualizado: Segunda-feira, 2 Agosto de 2010 as 1:18

A experiência do primeiro comício da dupla Dilma Rousseff e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Rio de Janeiro alertou a campanha da candidata do PT para a ordem dos discursos das autoridades no palanque. Com recorde de popularidade, Lula é o principal cabo eleitoral de Dilma e é considerado um “atrativo” nos atos de campanha para a militância, que se mobiliza para ouvir o presidente.

Na estréia de Lula e Dilma em atos públicos, no último dia 16, o presidente usou o microfone antes da candidata e recebeu as manifestações do público, que aos poucos foi vencido pela forte chuva que caía na Cinelândia e deixou o centro do Rio. Lula foi aplaudido pelo menos seis vezes, durante os 20 minutos que discursou. Em seguida, Dilma tomou a palavra, mas não empolgou. A candidata falou para uma platéia de duas mil pessoas, na Cinelândia, no centro do Rio.

De quinta para sábado, Lula encerrou todos os eventos de que participou ao lado de Dilma. Em Porto Alegre, na última quinta e em Curitiba, sexta-feira e ontem, a palavra final foi de Lula, diferentemente da estreia na Cinelândia, e no comício seguinte, em Pernambuco. Nos últimos eventos, em Porto Alegre e Curitiba, a campanha nacional disse que os comícios reuniram de 10 a 15 mil.

O iG apurou junto a integrantes da campanha que a inversão nas ordem dos discursos tem por objetivo garantir que os eventos não se esvaziem após a fala de Lula, além de evitar exposição da candidata com comparações em relação ao desempenho de seu principal cabo eleitoral.  O presidente do PT, José Eduardo Dutra, no entanto, nega que tenha sido proposital. "Estava errado antes na verdade. É uma questão quase cerimonial. Ele é o presidente da República. Quando ele é o último a falar se sente mais à vontade", disse Dutra.

Nos discursos, Lula aproveita para fazer a apresentação de sua candidata, antecipando o papel que desempenhará na TV durante a propaganda eleitoral, que começa no dia 17 de agosto. O presidente pretende mostrar Dilma ao eleitorado não só como a responsável pelas grandes obras de seu governo, previstas nos Programas de Aceleração do Crescimento (PACs) 1 e 2, mas também como a garantia de que nenhum programa social, como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, será mudado caso ela seja eleita.

No primeiro dia de campanha em Curitiba, na última sexta, Lula reforçou a questão de gênero a uma platéia de 300 empresários e pediu para que não tenham preconceito de votar em uma mulher. “Se existe aqui alguém com preconceito de não votar em uma mulher, que pare de ser besta. Ela (a mulher) me pariu. Dê uma chance à sua mãe, já que ela deu tantas chances a você", disse LulaNo dia seguinte, durante comício na Boca Maldita, região central da cidade, Lula voltou a abordar o tema.

Nos últimos eventos de campanha, Lula discursou por quase uma hora, enquanto Dilma se concentrou em falas curtas e diretas de 15 a 20 minutos. Consideradas longas e cansativas, as falas públicas de Dilma durante a pré-campanha custaram a agradar aos militantes petistas. A ordem da coordenação política da campanha é falar pouco durante os comícios eleitorais e evitar números e dados burocráticos, como fez durante o comício.

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