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Em tom de campanha, Serra e Dilma se despedem do governo; leia discursos

Em tom de campanha, Serra e Dilma se despedem do governo; leia discursos

Atualizado: Quinta-feira, 1 Abril de 2010 as 12

Os dois principais pré-candidatos à Presidência, o governador José Serra (PSDB) e ex-ministra Dilma Rousseff (PT) se despediram de seus cargos nesta quarta-feira, dia 31, com discursos que já adiantaram o tom da campanha deste ano.

Leia íntegra do discurso de Serra Leia íntegra do discurso de Dilma São Paulo

No Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, Serra fez um balanço de seu governo num ato que contou com a presença de 5.000 servidores e correligionários. Sem mencionar nomes, Serra criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a pré-candidata do PT. "Já fui governo e já fui oposição, mas de um lado ou de outro, nunca me dei à frivolidade das bravatas", disse Serra.

Ele também criticou o aparelhamento da máquina do Estado pelo partido --a oposição acusa o governo Lula de apadrinhar sindicalistas e aliados. "O nosso governo serve ao interesse público, e não à máquina partidária. Nós governamos para o povo", disse. "Repudiamos sempre a espetacularização, a busca pela notícia fácil, o protagonismo sem substância", disse.

Cercado de secretários, deputados e prefeitos de partidos aliados, Serra afirmou que está preparado para sua nova missão. "Vamos juntos que o Brasil pode mais", conclamou ele. "Por tudo que fizemos, sinto ganhar bastante força para esta etapa seguinte que nos espera. Vou ingressar nesta etapa com muita disposição, muita força, muita confiança, muita sinceridade e muito trabalho."

Serra chegou a embargar a voz e ensaiou um choro. Ao fazer uma longa lista dos feitos de seu governo, Serra defendeu o controle dos gastos. "Austeridade não é mesquinharia", afirmou sobre o seu governo.

"Eu estou convencido que o governo, como as pessoas, tem que ter honra. E assim falo não apenas porque aqui não se cultiva escândalos, malfeitos, roubalheira, mas também porque nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o mal feito", afirmou.

Serra confirmou a fama de obsessivo e disse que a maior de suas obsessões sempre foi servir aos interesses de São Paulo e do país.

De acordo com ele, o "pessoal de Brasília" sorri de maneira irônica quando ele afirma que não é centralizador, diferente do "pessoal de São Paulo" que o conhece bem.

Brasília

No Palácio Itamaraty, em Brasília, Dilma Rousseff disse hoje que não pretende se desvencilhar do governo Lula agora que entrará em campanha eleitoral.

"Eu não pretendo me desvencilhar do governo do presidente Lula. Participar dele para mim foi um momento muito importante da minha biografia e eu participei em todos os momentos, desde 2005, como chefe da Casa Civil e, muitas vezes, ao longo das horas noturnas que o governo se prolongou nos fins de semana", disse ela.

Dilma negou que sua candidatura seja um voo solo e disse que era um projeto. " Não é um voo solo, é um projeto. Eu me sinto muito fortalecida e apoiada por todos eles", disse.

A ex-ministra falou que está preparada para a corrida eleitoral, muito por conta dos sete anos e meio que esteve no governo. "Eu acho que eu estou preparada na vida para coisas muito mais duras que disputar uma eleição", afirmou. "Difícil mesmo era aguentar a ditadura", completou.

Dilma adotou um tom muito mais emocional em seu discurso de despedida, hoje, na cerimônia organizada pelo governo. No discurso de Dilma, acostumada a citar números e dados de planilhas, não faltaram palavras como sonho, otimismo, fé e alegria.

Dilma chegou a se desculpar por não adotar o improviso em todo seu discurso. Alegou que não conseguiria um desempenho como o do presidente Lula. "Eu terei que fazer um imenso esforço para falar de improviso, mas sei que não vou ser igual ao Lula. Vou seguir um roteiro. Pode ser que eu o esqueça e me emocione, mas vou tentar", disse a ministra. A secretária executiva da pasta, Erenice Guerra, vai substituí-la.

A ministra lembrou que a oportunidade de estar no governo de Lula significou a realização de um sonho para ela e para muitos de sua geração que passaram pela repressão do regime militar. "O governo do senhor [Lula] é importante porque significou o ápice, a vitória daqueles que lutaram muito e conseguiram vencer. Nós vencemos a miséria, a pobreza, a subvenção, a estagnação, o pessimismo e o conformismo", disse Dilma.

"Viúvos do Brasil que cresceu pouco fingem ignorar que esse país mudou. No nosso governo, o povo não é coadjuvante", acrescentou.

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