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Embu torce para que confusões com endereços acabem após plebiscito

Embu torce para que confusões com endereços acabem após plebiscito

Atualizado: Terça-feira, 22 Fevereiro de 2011 as 8:18

Uma carta que não chega, o exame médico que é extraviado, um motoboy errando o caminho. O dia a dia de quem mora na Estância Turística de Embu, na Grande São Paulo, é marcado por confusões. Isso porque o local é conhecido como Embu das Artes e há uma cidade próxima chamada Embu-Guaçu. É o bastante. Para acabar com o problema, a Prefeitura vai consultar a população, que voltará às urnas em 1º de maio para um plebiscito. A ideia é incorporar de vez o sobrenome "das Artes”. O voto é obrigatório para os eleitores da cidade.  

Muito na pequena e charmosa cidade leva o “das Artes” em letreiros e placas, inclusive as indicativas. Os ônibus têm a inscrição Transporte Municipal de Embu das Artes. A Estância Turística tem tradição artística por causa dos artesãos que lá se instalaram a partir da década de 1970. Até hoje a feirinha artesanal de domingo, no Centro, reúne turistas do Brasil e do exterior. “Tenho 33 anos de Embu e digo para todo mundo que moro em Embu das Artes”, diz o jornaleiro Nestor Peres Filho, 56, dono da NJ Revistaria das Artes.

De acordo com ele, as confusões por causa do nome da cidade vizinha são diárias. “Muita gente vem procurar endereços de Embu-Guaçu aqui. Algumas ruas eu sei que são de lá porque fui taxista. Acontece direto”, conta. Há casos mais curiosos. “Quando cometem um crime lá em Embu-Guaçu, o pessoal vem comprar o jornal no dia seguinte pensando que foi aqui. Os motoboys também se perdem. Vêm com o endereço errado. Para o turista isso pesa”, argumenta Peres Filho.

Ele é um dos moradores que apoiam o plebiscito, marcado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE). “Nessa (eleição) eu vou votar mais satisfeito do que nas que têm candidatos”, brinca. É contando com essa aprovação dos moradores que o prefeito Chico Brito, do PT, encampou o projeto de mudança oficial do nome. Ele preside o comitê Pró-Plebiscito Embu das Artes – Todo Mundo Quer, criado para organizar e divulgar o evento e diz que há uma “unanimidade” a favor da troca. O prefeito recebeu o G1 e comentou sobre a votação. “Essa é uma demanda bastante antiga. Embu é conhecida internacionalmente como Embu das Artes. Tem toda uma identidade com a arte e a cultura”, afirma Brito. Não estamos propondo a mudança do nome, apenas que se oficialize o sobrenome.” O próprio logotipo da Prefeitura já aderiu ao “das Artes” e só os documentos oficiais ainda vêm com o nome correto.

Urnas eletrônicas

O plebiscito é uma consulta popular ao povo “para que se delibere sobre assuntos de acentuada relevância, de natureza constitucional, legislativa ou administrativa”, diz o TRE. Não é comum ele ser realizado no país. Em 1993, houve uma votação do tipo para decidir se o modelo de governo continuaria o presidencialismo ou passaria para parlamentarismo, proposta que foi derrubada.

O prefeito diz que as urnas eletrônicas – as mesmas usadas nas votações do Brasil – ficarão em todas as escolas municipais para que os 170 mil eleitores optem entre o ‘sim’ (para o nome oficial ser Embu das Artes) e o ‘não’. Também podem votar em branco. Os custos do plebiscito estão estimados em cerca de R$ 135 mil e serão pagos pela prefeitura. Na tarde desta segunda-feira (21), o presidente TRE-SP, desembargador Walter de Almeida Guilherme, e o prefeito Chico Brito assinaram o convênio para a realização da votação.

A balconista Roseneide Aparecida dos Santos Müller, de 34 anos, diz ter sido vítima dessas confusões. “Minha sogra, que mora em Santa Catarina, mandou várias cartas só com o nome Embu e todas voltaram. Quando ela escreveu no endereço Embu das Artes, a carta chegou na minha casa.” A assessoria de imprensa dos Correios em São Paulo informa que esse tipo de problema é difícil ocorrer porque as entregas são baseadas no CEP das correspondências.   Perdeu os exames

Edineia da Cunha Gomez, de 30 anos, quase ficou sem seus exames médicos. “Fiz em Taboão da Serra (cidade próxima) e não chegaram à minha casa. Eu ligava lá e diziam que tinham entregue. Depois descobri que confundiram a cidade”, conta ela, lembrando que os exames foram parar em uma rua do mesmo nome de Embu-Guaçu. “Tive que ir lá (no médico) e tirar segunda via de tudo.”

Roseneide e Edineia querem participar do plebiscito. “Acho interessante. Mudando o nome fica uma coisa mais oficial.” O aposentado Antonio Santos de Faria, de 72 anos, chegou a Embu em 1952, quando a tradicional feirinha nem tinha começado – as primeiras barracas foram montadas em 1969, como lembra o prefeito Chico Brito.

“Muita gente confunde aqui com Embu-Guaçu. Se não for complicado, tudo bem. Eu posso votar. Embu das Artes fica mais fácil e mais chique”, opina o morador.      

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