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Entidades sociais pedem proteção a ameaçados em conflito agrário em MT

Entidades sociais pedem proteção a ameaçados em conflito agrário em MT

Atualizado: Sexta-feira, 3 Junho de 2011 as 12:04

Seis pessoas que estavam sendo ameaçadas em Mato Grosso foram assassinadas em conflitos agrários nos últimos 11 anos, conforme um levantamento divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Diante deste cenário, lideres de movimentos sociais estão cobrando do governo do estado mais proteção para as pessoas que vivem ameaçadas. A discussão sobre as mortes no campo veio à tona nesta semana após acontecerem quatros mortes de trabalhadores na Região Norte no Brasil. Três delas no Pará e uma em Rondônia.

O coordenador do Centro Burnier de Fé e Justiça, Inácio José Werner, que atua em um fórum dos direitos humanos e tem representado a CPT no estado, afirma que nos últimos dois anos tem buscado negociar com o governo a inclusão dos nomes das pessoas ameaçadas em algum programa de proteção a testemunhas. Mas Mato Grosso é um dos poucos estados brasileiros onde não há um serviço de proteção às pessoas ameaçadas no campo. As vítimas são pessoas que trabalham com atividades ligadas à defesa dos direitos humanos, do meio ambiente e ocasionamente testemunharam crimes. São íderes religiosos, indígenas, trabalhadores rurais, agentes da pastoral, entre outros.

"A gente espera que o governo do estado possa prestar uma política de proteção aos direitos humanos e apurar estes casos de homicídios. Se Mato Grosso teve tantas mortes, alguma coisa está errada. Queremos que o estado faça seu papel e a justiça possa julgar os acusados", comentou Inácio Werner. Ele acredita que lista dos homicídios e das pessoas ameaçadas pode ser maior do que a divulgada, porque muitos casos não chegam ao conhecimento público. Werner cita números maiores que os divulgados nesta semana pela entidade ligada à Igreja Católica. Inácio Werner estima que de 1985 até 2011 foram mortas 115 pessoas em Mato Grosso.

O caso mais grave

A ameaça contra a freira Leonora Bruneto, de 65 anos, é tida como "prioridade um” pelo governo do estado. A irmã recebe inúmeras ameaças diárias porque ela busca conscientizar os trabalhadores que se encontram em condições análogas a de escravo.

A ativista dos direitos humanos, natural do Rio Grande do Sul, é ameaçada por fazendeiros na região norte de Mato Grosso, que é marcada pela exploração de mão-de-obra escrava. A reportagem tentou entrar em contato com irmã Leonora, mas fomos informados que ela não está no estado.

Ajuda federal

O secretário adjunto de Direitos Humanos do estado, Genilto Nogueira, disse ao G1 que um estudo aponta que Mato Grosso precisa de mais 160 policiais para fazer a segurança das pessoas ameaçadas no estado. Isso porque cada testemunha precisa ser protegida durante 24h por no mínimo oito homens, além de manter as casas deles anônimas, sem endereço identificado.

Para antender esta demana, Genilto apresentou à ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o pedido das entidades sociais de proteção às pessoas ameaçadas no estado.

Genilto Nogueira comentou que existem três programas federais que podem ser ampliados para Mato Grosso. Os programas são de proteção à testemunha, aos defensores dos direitos humanos e às crianças e adolescentes ameaçados no campo.

Nesta sexta-feira (3), às 16h30, o assunto vai ser discutido com a ministra e com uma equipe do governo. “São casos sérios e preocupantes, que estamos levando em consideração com muita responsabilidade. São pessoas que são ameaçadas mesmo. Por isso, a nossa intenção é fazer adesão aos três programas“, finalizou o secretário.          

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