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Envolvido na morte de Celso Daniel tinha habilitação falsa, diz polícia

Envolvido na morte de Celso Daniel tinha habilitação falsa, diz polícia

Atualizado: Quarta-feira, 1 Dezembro de 2010 as 5:02

Os policiais civis do Setor de Investigações Gerais (SIG) da Delegacia Seccional de Diadema, no ABC, que prenderam Marcos Roberto Bispo dos Santos, condenado a 18 anos de prisão por participação na morte de Celso Daniel, então prefeito de Santo André, em 2002, estavam acompanhando a rotina dele havia um mês na casa onde ele estava morando, no bairro de Piraporinha. Ele era procurado pela Justiça e foi julgado à revelia, no último 18 de novembro.

O acusado foi detido na manhã desta quarta-feira, quando deixava a casa, e utilizou uma carteira de habilitação com outro nome como documento de identificação, segundo a polícia. Por esse motivo, ele também será indiciado por utilização de documento falso.

"[Nesse último mês] Ele saía pouco. Saía cedo ou, às vezes, tarde da noite. Não houve um acompanhamento muito efetivo porque pode haver desconfiança. Seguir uma pessoa não é tão simples quanto parece", declarou delegado Cosmo Stikovics Filho, da Delegacia Seccional de Diadema.   O condenado pela morte de Celso Daniel foi encaminhado à Delegacia Seccional de Diadema, onde um auto de prisão em flagrante será registrado. Até por volta das 15h, quando o delegado Cosmo Stikovics Filho, concedeu uma entrevista coletiva, o detido não tinha sido ouvido. “Ele admitiu que é o Marcos Bispo. Ele falou que estava em Diadema há pouco tempo. (...) Está reticente, não deu muitos detalhes. Disse que andou fora do estado”, afirmou o delegado.

Segundo Cosmo Stikovics Filho, ele não fez comentários sobre comparsas ou deu detalhes da participação dele no assassinato de Celso Daniel. O delegado afirmou também que não está acompanhando de perto o caso Celso Daniel. “Se ele der mais detalhes que auxiliem na investigação, as informações serão encaminhadas aos órgãos competentes, que estão liderando a investigação”, declarou.

Marcos Roberto Bispo dos Santos será encaminhado um Centro de Detenção Provisória (CDP). Na tarde desta quarta, quando deixava a delegacia para fazer o exame de corpo de delito, Marcos Roberto Bispo dos Santos disse apenas que não tinha "nada a declarar".

Ele foi considerado culpado pelo crime - com duas qualificadoras, motivo torpe e impossibilidade de defesa à vítima - pelos jurados (cinco mulheres e dois homens), no Fórum de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo. O advogado do condenado, Adriano Marreiro, disse na ocasião que iria recorrer da sentença.

De acordo com o promotor Francisco Cembranelli, Marcos foi o responsável por levar Celso Daniel de carro para um cativeiro, onde o político foi morto a tiros em 18 de janeiro de 2002.

O advogado Adriano Marreiro e outros dois advogados, defensores de Marcos, sustentaram que a única prova da participação de seu cliente no crime fora uma confissão sob tortura que ele dera ao Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP). Marcos foi julgado num processo em separado de outros dois a respeito do caso Celso Daniel.

O advogado Adriano Marreiro dos Santos disse que as informações de que seu cliente usava documento falso terão de ser apuradas em inquérito policial. Ele antecipou ao G1 que vai impetrar ainda nesta semana no Tribunal de Justiça de São Paulo um habeas corpus alegando a nulidade do julgamento que condenou Bispo a 18 anos de prisão e pedindo que seu cliente responda ao processo em liberdade.

Caso Celso Daniel

Celso Daniel foi morto em 2002, após ser sequestrado em 18 de janeiro daquele ano. O corpo do prefeito foi achado após dois dias, baleado em uma estrada de terra em Itapecerica - por causa disso, o julgamento ocorreu no fórum desse município. Para o Ministério Público, o prefeito foi assassinado porque tentou acabar com um suposto esquema de corrupção na prefeitura.    

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