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Era um sonho que virou pesadelo, diz irmão de recruta internado no Rio

Era um sonho que virou pesadelo, diz irmão de recruta internado no Rio

Atualizado: Terça-feira, 23 Agosto de 2011 as 1:07

“É um sonho que infelizmente virou pesadelo”, descreveu Leandro Gama Rodrigues, irmão do recruta Leonardo, que foi internado após passar mal num curso da Marinha. Além dele, outros 57 recrutas foram levados para o Hospital Naval Marcílio Dias, no Lins, no subúrbio do Rio. Segundo Leandro, a família só foi avisada da situação de Leonardo dois dias após a internação do irmão.

“Eu estava em Vitória quando me ligaram e falaram ‘não se preocupa, seu irmão está na UTI, mas está estável’. Eu achei que era algo isolado, mas quando cheguei no Rio soube que muitos estavam internados. Primeiro os médicos me disseram que era uma bactéria, depois falaram em pneumonia. Eles dizem que é cedo para saber”, disse Leandro, que mora no Espírito Santo. Nesta terça-feira (23), a Marinha informou que sete recrutas internados estão com o vírus da Influenza B .

De acordo com Leandro, o irmão está em coma induzido. “Ele não fala, o único movimento é dos olhos. Os médicos falam que todos os órgãos estão funcionando, mas o pulmão está contaminado. É revoltante porque era um sonho. Ninguém acorda do dia para a noite e resolve ser fuzileiro. Ele largou tudo e veio atrás do sonho”, contou. Leonardo começou o curso no dia 2 de agosto, no entanto, a parte prática teve início no dia 8 de agosto. Segundo a Marinha, a internação aconteceu no dia 17.

Leandro está no Rio por causa da ajuda de amigos e da empresa em que trabalha. A avó dele, Maria Souza dos Reis, também está na cidade acompanhando a evolução de Leonardo. “Eu fui visitar ele e falei ‘campeão, vamos pra casa’”, disse, emocionada.

Três instrutores foram internados nesta manhã

No total, 24 recrutas permanecem internados. Além deles, três instrutores foram internados nesta manhã no mesmo hospital.

Na segunda-feira (22), cinco recrutas foram internados, com os mesmos sintomas de síndrome respiratória apresentados pelos 57 alunos do Ciampa que foram internados na quarta-feira (17). Os cinco passaram por exames e estão em observação. Outros 11 jovens também deram entrada no hospital na segunda-feira com sintomas de conjuntivite. No entanto, segundo a Marinha, eles foram medicados, liberados e retornaram ao centro de treinamento.     Mais cedo, um grupo de 38 recrutas que estava internado recebeu alta médica . O Comando do Primeiro Distrito Naval informou que eles vão retornar às atividades normais no Curso e serão acompanhados pela Divisão de Saúde do Ciampa. Os demais alunos apresentam boa evolução clínica e continuam recebendo a necessária assistência médica.

O Curso de Formação de Soldados Fuzileiros Navais teve início no dia 8 no Ciampa, com 637 alunos matriculados.

Recrutas doentes reclamaram de falta de água, diz defensor

De acordo com os defensores públicos André Ordacgy e Daniel Macedo, sete dos 57 recrutas internados visitados na tarde de segunda-feira reclamaram da falta de abastecimento de água no Ciampa.

Defensores visitam recrutas em hospital no Rio

(Foto: Alba Valéria Mendonça/G1)

  Segundo os defensores, mesmo na presença de oficiais, os jovens relataram que faltava água constantemente nos bebedouros do Ciampa. Alguns chegaram a dizer que tiveram de beber água da bica. No entanto, nenhum deles reclamou do excesso de exercícios físicos.

“Eles contaram que os exercícios estavam dentro da rotina normal do curso e que não houve nada que os levassem à exaustão. Inclusive os recrutas pertencem a pelotões e companhias distintas, e nem todos faziam exercícios quando começaram a passar mal”, disse Macedo.

Ao final da visita, os defensores disseram que entregaram em mãos ao diretor do hospital um ofício pedindo os prontuários médicos dos recrutas internados. Também foram enviados ofícios à Secretaria municipal de Saúde para obter os laudos da coleta de material dos pacientes e para o 1º Comando da Marinha e outro para o Ciampa, para saber que providências serão tomadas para que casos semelhantes não se repitam e regularizar a situação da água no centro de treinamento.

“Por enquanto está difícil achar uma conexão com o excesso de exercícios. Neste primeiro momento, trata-se de um caso administrativo, mas pode se transformar numa ação individual por danos morais, se alguém se sentir humilhado pela falta de água e pelas condições em que estavam, ou ainda uma ação coletiva contra a Marinha, que tem de zelar pela integridade física e emocional dos recrutas”, disse Ordacgy.            

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