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ES produzirá meio milhão de barris de petróleo até 2012

ES produzirá meio milhão de barris de petróleo até 2012

Atualizado: Quarta-feira, 23 Junho de 2010 as 10:54

A decisão da Petrobras de investir US$ 224 bilhões até 2014 vai beneficiar o Espírito Santo no que se refere à antecipação da produção no pré-sal, conforme anunciou ontem o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli. Com o adiantamento, a produção no Estado chegará aos 300 mil barris por dia, em média, e subirá para 400 mil barris/dia no próximo ano. Até o final de 2012, a produção nos campos em terra e no litoral capixaba poderá chegar a 500 mil, em alguns dias, mas a média deverá ficar em torno de 450 mil barris por dia.

A antecipação acontecerá no campo de Baleia Azul, no Litoral Sul, com o início da produção em 2012. Gabrielli anunciou, também, a construção do polo gás-químico no Norte, em Linhares, ao invés de apenas uma fábrica de fertilizantes.

A Petrobras decidiu adiantar a produção de reservas do pré-sal não só no Parque das Baleias, onde fica o campo de Baleia Azul, que deveria começar a produzir em 2013, mas também de outros campos na Bacia de Santos. A medida faz parte de uma política de antecipações do pré-sal, adotada no novo plano de investimentos da companhia.

Como foi divulgado por A GAZETA, em maio passado, neste campo será instalado o navio-plataforma do tipo FPSO “Cidade de Anchieta” que hoje está em produção na Bacia de Campos e se chama FPSO “Espadarte”. Em janeiro ele será levado para Cingapura, na Ásia, para ser reformado e adaptado para extrair o óleo da camada do pré-sal. O navio tem capacidade para produzir 100 mil barris por dia.

Além de Baleia Azul, outros sete projetos do pré-sal entrarão em produção no período do plano estratégico: Cachalote (também no Parque das Baleias), o piloto do campo de Tupi, os testes de longa duração de Tupi Nordeste, Guará e Tiro (estes em 2010) e os pilotos de Guará (2013) e Tupi Nordeste (2014).

Início

Nos próximos dias, a produção no pré-sal, que no Brasil começou no litoral do Espírito Santo, será intensificada com a entrada em produção do primeiro poço no campo de Baleia Franca, no Parque das Baleias. O FPSO Capixaba deve ser interligado a dois poços na camada pós-sal do campo de Cachalote. O FPSO “Capixaba”, que começou a produzir no início de junho, tem capacidade para extrair 100 mil barris por dia.

A antecipação dos projetos levou a Petrobras a rever a curva de produção do pré-sal, que atingirá seu pico antes do projetado anteriormente, segundo informou Gabrielli, ontem, durante conferência com analistas de mercado. Por isso, a produção projetada para 2014 deverá chegar a 241 mil barris por dia.

Já a estimativa para 2020 foi reduzida, de 1,8 milhão para 1,07 milhão barris por dia. Essa estimativa contempla apenas as descobertas já feitas e pode ser revista para cima, a partir de novas descobertas no pré-sal. (Com agências)

Polo gás-químico será em Linhares

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, confirmou ontem que companhia pretende construir um polo gás-químico no Espírito Santo, dentro da estratégia de desenvolver mercados mais flexíveis para o gás natural. “Investiremos em um complexo gás-químico que produzirá diversos produtos, entre eles o metanol”, afirmou o executivo.

O novo projeto faz parte do Plano Estratégico 2010-2014, anunciado segunda-feira pela companhia, que prevê investimentos de US$ 5,7 bilhões em empreendimentos gás-químico. Além do complexo em Linhares, no Norte do Estado, o executivo revelou que a estatal construirá mais três outras unidades nesta área: duas fábricas de amônia, uma em Sergipe e outra em Uberaba (MG), e uma instalação de ureia na cidade de Três Lagoas (MS).

Em reunião como governador Paulo Hartung e secretários estaduais, meses atrás, a direção da Petrobras informou que o projeto prevê a produção de ureia (fetilizante) e metanol (biodiesel formaldeído), folmaldeído (resinas termofixas para madeira e móveis), ácido acético (tintas e solventes), ácido fórmico (para a indústria do couro) .

Segundo o secretário estadual de Desenvolvimento, Márcio Félix Bezerra, esse complexo será construído em Linhares, próximo à Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC) e tem custo estimado de implantação de R$ 4 bilhões.

Gabrielli explicou que a empresa quer tornar o consumo de gás mais flexível, já que tem que garantir o fornecimento do insumo para as térmicas. As usinas só entram em operação quando o nível dos reservatórios das hidrelétricas está baixo, por isso, a Petrobras precisa encontrar outros mercados para o gás.

A Petrobras anunciou um aumento de cerca de 28% em seu plano de investimentos.

Acionistas aprovam aumento de capital

A Petrobras deu mais um passo ontem rumo à sua capitalização, que deverá ser concluída “impreterivelmente” até o final de julho, como já afirmou o presidente da estatal José Sérgio Gabrielli.

O aumento de capital num montante de até R$ 150 bilhões (limite permitido pela regra estatutária da companhia) foi aprovado ontem em assembleia geral dos acionistas que durou pouco mais de meia hora e reuniu apenas cerca de 60 representantes de acionistas que compunham 85% dos acionistas ordinários, com direito a voto. Vale destacar que a União sozinha representa 55% deste capital.

A votação foi rápida, mas não deixou de ter manifestações contrárias ao processo de aumento de capital. “Será um extermínio dos acionistas minoritários”, foi uma das frases ouvidas, em relação ao benefício que o governo terá por não “sofrer uma sangria em seu caixa”.

Concluída a assembleia, o mercado, que já contava a aprovação do processo, agora está em polvorosa com a afirmação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a capitalização poderia ocorrer por meio do sistema de partilha.

Por este processo, a União faria um contrato com a Petrobras, no qual entregaria o campo para a empresa explorar e determinaria uma porcentagem para a União e outra para a empresa. Por esse sistema, a Petrobras paga um bônus de partilha à União sem impacto fiscal.

A alternativa valeria caso a Agência Nacional do Petróleo (ANP) não consiga concluir até julho a auditoria sobre as áreas do pré-sal que podem ser utilizadas na cessão onerosa. Segundo uma fonte próxima ao processo, a Petrobras poderia ir a mercado fazer sua capitalização, incluindo no valor total o montante a ser pago futuramente pelos barris a serem repassados pela União numa eventual cessão onerosa.

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