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Especialistas se reúnem para discutir queda dos homicídios em São Paulo

Especialistas se reúnem para discutir queda dos homicídios em São Paulo

Atualizado: Quinta-feira, 28 Agosto de 2008 as 12

Na quinta-feira, 21 de agosto, aconteceu em São Paulo o Seminário ?Criminalidade Violenta e Homicídios em São Paulo: Fatores Explicativos e Movimentos Recentes?. Reunindo alguns dos principais nomes do campo da segurança pública no país, o encontro teve como objetivo discutir a acentuada queda dos homicídios observada em São Paulo a partir de 1999.

Na abertura, representantes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, da Fundação SEADE, da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) e da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo fizeram uma análise sobre o momento atual da segurança pública no estado. O Secretário de Segurança do estado, Ronaldo Marzagão, pontuou a mudança de postura da Secretaria e a adoção de quatro princípios básicos que foram priorizados na atual gestão: inteligência policial, encarceramento efetivo, política séria de desarmamento e inclusão social como fator de segurança pública.

O debate começou com a fala do diretor executivo do Instituto Sou da Paz, Denis Mizne, que afirmou não acreditar em uma única causa para explicar os resultados alcançados por São Paulo ? 70% a menos homicídios em cerca de 9 anos - mas sim na soma de três importantes fatores: a mudança de postura e melhor atuação das polícias paulistas; o real controle de armas e uma grande mobilização social para o desarmamento através de campanhas e destruição de armas; e uma atuação efetiva da sociedade civil e das prefeituras através de ações sociais de prevenção em áreas consideradas violentas ou de risco.

O demógrafo João Manuel Mello, da PUC/RJ, trouxe uma nova hipótese: a queda demográfica na população jovem (homens de 15 a 24 anos), ao mesmo tempo vítimas e autores de crimes desta natureza. Para João, esta queda poderia representar a causa primordial da diminuição nos índices de homicídios. O professor explica que a redução populacional deve ter facilitado a inserção de uma série de medidas e projetos que potencializaram ainda mais a queda na taxa de homicídios.

Em seguida foi a vez de Túlio Kahn, coordenador da Coordenadoria de Análise e Pesquisa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, fazer sua análise. O pesquisador abordou diferentes pontos de vista e enfatizou o fato de São Paulo ser um caso mais interessante que Nova York ou Bogotá ? cidades que também implementaram políticas de segurança pública e tiveram redução em seus índices - porque estas cidades seguiram uma tendência de queda registrada em todo o país. Já São Paulo foge ao padrão nacional e apresenta dados que destoam de maneira significativa de outras regiões. Em sua opinião, a política de desarmamento e a melhoria na gestão pública e da polícia são os dois fatores centrais para esta mudança.

Algumas questões foram consensuais entre praticamente todos os participantes como ações que, de alguma forma, contribuíram para a redução dos homicídios em São Paulo. Entre elas, a melhoria na gestão das políticas públicas, principalmente as municipais, adotando o tema da segurança como grande responsabilidade local e não mais apenas estadual e federal; a mudança de foco e postura das polícias paulistas priorizando a investigação e o combate ao crime do homicídio; o aumento do orçamento destinado à segurança pública por parte do estado e o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.

A conclusão do Seminário foi de que a sociedade paulista está passando por um processo de dimensões muito amplas para ser explicado em apenas um estudo ou por uma única causa. Os especialistas presentes se dispuseram a criar novas agendas de pesquisa que procurem contribuir para o entendimento deste fenômeno e para que seja possível ter mais clareza sobre como investir de maneira eficaz para potencializar ainda mais essa redução.

Postado por: Claudia Moraes

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