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"Estão pensando que eu estou preso", diz ex-parceiro de suspeito de assalto

"Estão pensando que eu estou preso", diz ex-parceiro de suspeito de assalto

Atualizado: Segunda-feira, 16 Maio de 2011 as 9:06

Um cantor que no passado formou uma dupla sertaneja com Altemir Cândido Barreiros, ou "Dudu di Valença", passou a enfrentar problemas depois que o ex-parceiro foi preso por suspeita de assaltar joalherias.

Altemir e o irmão, Alteir, foram detidos pela polícia em Ibitinga (SP), na terça-feira (10). Os dois seguem presos no Centro de Detenção Provisória (CDP) em Araraquara (SP). De acordo com a Polícia Civil, eles negaram o crime e alegaram inocência em seus depoimentos.

Humberto Mesquita de Oliveira formou a dupla com Dudu di Valença em 2007, quando ele deixou de cantar com o irmão Alteir, que era conhecido como Rodrigo. A parceria entre os dois durou até o ano passado, quando Oliveira deixou a dupla por não receber o dinheiro combinado pelos shows.

Oliveira, que além de cantar também trabalha como piloto, afirma que se sente prejudicado com a divulgação do caso.

"Estão pensando que eu estou preso. A maioria das pessoas está pensando que eu sou assaltante de joalheria", diz o ex-parceiro de Dudu di Valença.

Gravações

Imagens de câmeras de segurança de joalherias de Campo Grande, Bauru, Presidente Prudente (SP), e Santa Cruz do Rio Pardo (SP) registraram a ação de Dudu de Valença. Ele só foi preso depois que funcionários de uma joalheria em Ibitinga desconfiaram e ligaram para a delegacia.

Na tarde de terça-feira, Dudu entrou no estabelecimento para ver as lojas, enquanto o irmão dele o aguardava do lado de fora da loja, a cerca de 30 metros de distância. Ele estava no lado do passageiro, e o carro estava ligado.

O investigador Marcos Vasconcelos seguiu Dudu. No bolso do cantor, o policial achou um anel avaliado em R$ 3 mil. "[A reação dele foi de] espanto e susto. Ele não esperava. A primeira coisa que falou foi ‘não sou violento, não tenho arma, não tenho nada’. Acabou se entregando", contou o policial.

Com Altair, irmão de Dudu, a polícia apreendeu anéis e correntes de ouro, relógios e equipamentos eletrônicos.

Acima de qualquer suspeita

Uma vendedora conta que Dudu não levantava suspeita. "Uma pessoa de uma ótima aparência. Uma pele muito lisa, muito bonita, as unhas muito bem feitas, uma roupa bem alinhada, uma pessoa bem elegante", disse.

"Jogava toda uma conversa para poder dar a entender que ele seria um cliente em potencial. Com certa destreza, ele pegava uma peça ou duas. Quantas ele poderia, ele teria condições de pegar", afirma o delegado Carlos Alberto de Oliveira.

Envolvente e educado, inventava profissões e dizia que procurava um presente para a esposa. "Ele falou que trabalhava no banco, que iria dar a joia para a esposa e que iria buscar a filha para ajudar a escolher a joia", contou a vendedora.

Ex-detento

Luciano Ferraz, um ex-carcereiro da antiga cadeia de Vila Branca, em Ribeirão Preto, e hoje investigador da polícia, conta que se lembra do cantor atrás das grades. Dudu cumpriu pena por uso de documento falsificado em 1998.

"Cantava todo dia. Ele tinha um violão que a administração havia autorizado e passava o dia cantando", lembra o policial civil Luciano Ferraz.

Furto qualificado

O delegado vai indiciar os irmãos por furto qualificado. Se condenados, podem pegar até oito anos de prisão. A dupla está presa em Araraquara. O Fantástico procurou a família e o advogado deles, mas ninguém quis gravar entrevista. O pedido de liberdade provisória foi negado pela Justiça.  

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