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Estelionatários dão golpe da venda de armas na internet, diz polícia do Rio

Estelionatários dão golpe da venda de armas na internet, diz polícia do Rio

Atualizado: Terça-feira, 10 Maio de 2011 as 8:30

    A oferta de revólveres, pistolas, rifles e até de fuzis na internet esconde de irregularidades - como venda de armamento de origem desconhecida e sem autorização - a ações de estelionato. Quem cogita comprar uma arma de fogo pela web tem hoje grandes chances de cair nas mãos de golpistas, que vendem o produto, mas não entregam a encomenda. Para a polícia, enganar interessados na compra de armamento é um crime quase perfeito.     Isso porque as vítimas não procuram a polícia para denunciar o golpe por temerem ser responsabilizadas criminalmente, segundo explica a delegada Ellen Sardenberg, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, da Polícia Civil do Rio de Janeiro.

- Isso é o mais comum: pessoas que são enganadas por estelionatários e não registram o caso, já que pretendiam comprar uma arma sem autorização. O que também é crime. Mas existe o outro lado, das pessoas que têm porte de arma e que podem comprá-las de forma legal, registradas, desde que sejam nacionais e de calibre permitido. Nesses casos, a venda pela internet é legal.

Ellen informa que a delegacia mantém, de modo permanente, uma ronda virtual para coibir crimes.

- Em cada turno, um policial fica exclusivamente vasculhando a internet em busca de criminosos. Como não temos como vasculhar toda a rede, damos prioridade para os principais casos, acessados por um número grande de pessoas.     Tr áfico na internet

Por outro lado, a rede também é usada por traficantes de armas. Em fóruns de internet, usuários chegam a discutir com vendedores golpistas por não entregarem a encomenda e indicam vendedores que cumprem a negociação até o fim.

Em site apontado como confiável por internautas, a reportagem do R7 verificou a existência de oferta de pistolas calibres 380 e 9 mm por R$ 1.000. A mais cara é uma Glock, oferecida por R$ 2.000. Na mesma página, são oferecidos rifles e até um fuzil AK-47 - nesse caso, os valores são negociados por meio de uma conta de e-mail do suposto traficante de armas.

A polícia confirma que muitos traficantes de armas usam a internet para vender mercadorias, incluindo munições, coletes à prova de bala e carregadores, como os usados pelo atirador Wellington Menezes de Oliveira, que invadiu em 7 de abril a Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, zona oeste do Rio, e matou 12 estudantes.

Entretanto, segundo a delegada Ellen, armas compradas pela internet representam a minoria entre aquelas que estão nas mãos de criminosos. O delegado Anderson Bichara, da Delegacia de Repressão ao Tráfico de Armas, da Polícia Federal, diz que a maior parte dos inquéritos sobre venda de armas pela internet é composta por estelionatários, que anunciam as armas, mas não entregam.

De acordo com Bichara, a maior parte das armas apreendidas tem origem regular. Muitas foram desviadas de unidades policiais e, principalmente, de empresas de segurança privada, ou são roubadas dos proprietários.

O porte de armas é permitido mediante autorização da PF que leva em consideração requisitos, como ser maior de 25 anos, provar a necessidade, tirar certidões negativas na Justiça Federal e Estadual, além de ser aprovado em exames psicológicos feitos por médicos credenciados pela PF.

- É preciso lembrar que a concessão do porte é um ato discricionário, ou seja, a Polícia Federal tem o poder de conceder ou não, independentemente de o interessado preencher os requisitos.

Revólver por R$ 1.200 e munição a R$ 145

O R7 entrou em contato pela internet com três supostos vendedores de armas a partir de uma simples busca. Dois deles responderam ao falso pedido de compra de revólver. É importante ressaltar que a simulação de negociação não foi concluída e que a investigação tinha fins jornalísticos.

Um dos negociadores mandou fotos da arma e forneceu detalhes surpreendentes. O homem, que disse ser do Espírito Santo, informou ser representante de uma fabricante de armas. Ele ofereceu um revólver calibre 38 modelo Ultra Lite, conhecido como Bulldog, por R$ 1.200. O suposto vendedor disse ter o mesmo modelo de arma nas cores preta e prata e que custaria R$ 70 a mais, caso o envio do revólver fosse feito por uma transportadora.

Perguntado sobre a possibilidade de a carga ser descoberta, ele demonstrou tranquilidade e alegou que a arma seria enviada como material de informática. Segundo ele, a transportadora não possui aparelho de raio-X.

Segundo o mesmo suspeito, o Rio de Janeiro é o principal destino das armas vendidas por ele, que citou regiões como Cabuçu, na Baixada Fluminense, Niterói, na região metropolitana, e Santa Cruz, na zona oeste do Rio. Sobre a garantia do serviço, o vendedor disse: “meu amigo, é tão garantido que, se você quiser, eu emito nota fiscal para você. Mas, você terá que registrar a arma, entende?”. Além de armas, o suposto vendedor também diz vender munição. Uma caixa com 50 munições para calibre 38 sai a R$ 145.        

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