'Estou com medo', afirma professora agredida após voltar a escola em SP

'Estou com medo', afirma professora agredida após voltar a escola em SP

Atualizado: Quinta-feira, 7 Abril de 2011 as 4:44

Agredida a socos e pontapés por um aluno de apenas 8 anos no último dia 29 de março, a professora Luciana Marcondes Ribeiro, de 33 anos, retornou nesta quinta-feira (7) à sala de aula, na EMEF Benedita Vieira de Almeida Madalena, em Itapetininga, a 172 km de São Paulo, depois de mais de uma semana de afastamento.

O retorno à atividade foi marcado pelo medo de um possível reencontro com o agressor, segundo ela. “Sim, estou com medo. Não tenho estrutura psicológica para reencontrá-lo depois do que eu passei”, afirmou. A agressão ocorreu depois que ela pediu para que o menino ficasse em silêncio. Nesta quinta-feira, o agressor não foi à escola, segundo ela.

Com 15 anos de experiência, Luciana começou a lecionar nesta escola no início deste ano, depois de um pedido de transferência. Antes de iniciar o ano letivo, ela não foi informada sobre o histórico de agressividade e mau comportamento do aluno. “Apenas recentemente é que me passaram que ele é hiperativo. Mas ele já tem um histórico de mau comportamento”, disse.     Durante o período de afastamento, ela disse que foi pressionada a aceitar a permanência do aluno em sua sala. “Tudo estava se voltando contra mim. A psicóloga me questionou sobre que tipo de profissional que eu era. Para eles (da secretaria municipal de educação), não houve nada. Me disseram apenas para ter paciência. O afastamento foi uma espécie de cala a boca”, relatou.

Como o afastamento não foi prorrogado e não houve qualquer providência em relação ao aluno, Luciana decidiu registrar um boletim de ocorrência na delegacia da cidade nesta quarta-feira (6). Depois do registro na polícia, o caso foi parar na imprensa.

Como consequência, devido à repercussão, o aluno foi remanejado de sala de aula. “Eles remanejaram só após aparecer na imprensa”, disse a professora. A medida, segundo ela, não é suficiente, no entanto. “Se é o contrário, eu sou punida. Por isso que eu deixei ele bater até que alguém viesse me ajudar. E é por isso que acontecem os casos de violência física e verbal contra os professores; porque não acontece nada. Violência verbal acontece sempre”, afirmou.

E, como o aluno continuará frequentando a mesma escola, o medo a acompanhará. “Ele tem 8 anos mas é quase do meu tamanho. Eu temo uma reação dele quando o reencontrar na escola. Depois daquele dia posso esperar tudo”, disse.

Esta não é a primeira vez que o aluno tem problemas na escola. Vinte mães de crianças que estudam na mesma escola também registraram reclamações contra o menino no Conselho Tutelar por agressões físicas e verbais aos colegas de sala.

Requerimento

De acordo com a reportagem da TV Tem em Itapetininga, a Associação dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp) foi acionada e disse que vai enviar um requerimento ao Ministério Público pedindo apuração do caso, acompanhamento da criança e da família e proteção à professora agredida.

A secretaria de eucação, por meio da assessoria de imprensa, informou à reportagem da TV Tem que o afastamento da professora foi concedido na semana passada por tempo determinado para averiguação dos fatos. A nota acrescenta que a professora tem o direito de pedir o afastamento, de acordo com a legislação vigente.

Além disso, a secretaria afirmou que em casos dessa natureza, a prefeitura de Itapetininga sempre oferece todo apoio necessário ao aluno e seus familiares e o acompanhamento psicológico também ao professor, visando a melhora no ambiente escolar. A família do menino afirma que ele sofre de um transtorno de comportamento.      

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