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"Estou do lado da verdade", diz Bolsonaro sobre contra gays

"Estou do lado da verdade", diz Bolsonaro sobre contra gays

Atualizado: Segunda-feira, 4 Abril de 2011 as 9:41

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), acusado de homofobia e racismo após declarações polêmicas dadas em uma entrevista na TV, disse ao R7 que não tem medo de nenhum processo movido contra ele na Câmara. O parlamentar, ao contrário, vê as quatro representações como uma chance de se explicar.

- Agradeço a Deus por todos que estão entrando com processo contra mim, porque eu estou tendo a chance, não de me desculpar, mas de explicar o que aconteceu.

Ele defendeu o direito de exprimir suas opiniões.

- Estou do lado da verdade. Eu não roubei, eu não meti dinheiro no bolso, não votei com o governo uma sacanagem. Não é isso que está em jogo aqui. O que está em jogo é uma opinião minha.

Na última segunda-feira (28), ao responder a uma pergunta da cantora e apresentadora Preta Gil no programa CQC, da TV Bandeirantes, sobre o que faria se seu filho casasse com uma negra, Bolsonaro afirmou que não iria discutir "promiscuidade".

Depois, o deputado disse que entendeu mal a pergunta e negou que estivesse sendo racista. Bolsonaro confirmou, no entanto, que não admitiria que seu filho se tornasse homossexual.

O deputado se reconhece como alguém que diz o que todo mundo pensa, mas não tem coragem de dizer. Segundo ele, toda vez que termina um pronunciamento na tribuna da Câmara, pelo menos metade dos parlamentares o elogiam.

- Eles falam: ‘Valeu, Bolsonaro. Mandou bem. Queria ter a coragem de falar o que você falou’. Mas não é coragem, é liberdade. Sou um deputado livre. Nunca fechei com governo nenhum.

O político acha que seus eleitores são parecidos com ele, apesar de serem de diferentes lugares.

- Meus eleitores são variados, mas tenho uma base nas Forças Armadas. Não tenho curral eleitoral. Você não acha concentração deles no Rio de Janeiro.

Dois dias depois, após acusações e a revolta de movimentos em defesa dos direitos dos homossexuais, o deputado do PP disse que está se lixando “para o movimento gay”.

Nesta sexta-feira (1°) o presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Cavalcante, divulgou nota dizendo que as declarações de Bolsonaro violam a Constituição. A entidade defende que a Câmara processe o deputado por quebra de decoro.

O parlamentar criticou a OAB e disse que ela “não escuta ninguém e já dá o veredicto, eles nem conversam - não é comigo, é com ninguém”.

Bolsonaro afirmou ainda que, se alguém o chama de “estúpido”, como fez nesta semana o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), nada acontece.

- Se eu chamo o Vaccarezza de estúpido é outro processo no Conselho de Ética. Agora, isso é liberdade de expressão, é o pré-julgamento que ele faz de mim.

Homossexuais

Apesar negar que seja racista ou tenha qualquer preconceito, o deputado se diz contra políticas voltadas para homossexuais. Ele afirma que está na Comissão de Direitos Humanos da Câmara para evitar “confraternizações com todos os grupos de homossexuais”, em defesa, por exemplo, do que o deputado chama de “kits gays para escolas”.

Ele faz referência a uma campanha preparada pelo MEC (Ministério da Educação) para combater o preconceito nas escolas.

- A minha briga com grupos homossexuais começou no final de novembro do ano passado, quando detonei um kit gay do governo. Eu falo claramente. O governo está voltando atrás agora [dizendo] que é para o segundo grau, mentirosos! Querem tirar a bandeira do Brasil das escolas e botar a bandeira do arco-íris escrito: vale-tudo.

Sobre a grande repercussão na mídia, Bolsonaro diz que “está sendo maravilhoso”.

- Estamos acabando com a gana, com a covardia, com a canalhice de grupos homossexuais, que tinham tudo pronto para emboscar nossas crianças do primeiro grau e formar jovens garotos gays.

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