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Estou me sentindo um lixo, diz condenado após matar pit bull em SP

Estou me sentindo um lixo, diz condenado após matar pit bull em SP

Atualizado: Sexta-feira, 16 Julho de 2010 as 7:43

O sentimento do segurança Mário Marcelo Silvério, 38 anos, após ser condenado a dois anos de prisão por disparar arma de fogo em via pública e matar um pit bull, é de revolta. "Estou me sentindo um lixo." Morador de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, Silvério atirou contra o cão, segundo ele, após o animal invadir sua casa em 2009 tentando atacar sua mulher e seu cachorro. Sem testemunhas e provas contundentes da acusação, ele nega que tenha saído de sua residência e, ainda por cima, colocado em risco algum vizinho.

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"Eu adoro cachorros e agi em legítima defesa", diz Silvério. O segurança conta que o pit bull entrou em seu quintal enquanto ele abria o portão eletrônico da garagem. O animal foi na direção do seu cachorro, um pincher, raça de pequeno porte. Vendo o ataque, Silvério acertou o invasor com um cabo de vassoura, o que não surtiu efeito. Em seguida, diz, o pit bull partiu para cima da mulher, que se recuperava de uma cirurgia. O segurança não viu outra solução: pegou uma arma esportiva – regularizada – e efetuou um único disparo.

"Eu saí e fiz um boletim de ocorrência. Depois um policial chegou na minha casa falando para a minha esposa que eu seria preso", diz Silvério. O segurança diz que foi instruído pelo delegado a encontrar o dono do cachorro, mas ele nunca apareceu. "Naquele bairro lá [Jardim Jóquei Clube], quem não quer pit bull bravo solta na rua para o Centro de Zoonoses pegar. Caberia até um processo meu em cima do dono do cachorro."

Silvério recorreu da pena no Tribunal de Justiça de São Paulo, mas ela foi mantida recentemente - a Corte só diminuiu a multa a ser paga, de dois para um salário mínimo. Ainda cabe recurso ao Superior Tribunal de Justiça, mas o advogado dele afirma que vai esperar a publicação do acórdão do TJ, que foi unânime na manutenção da condenação, para analisar uma possível apelação.

"Tenho o meu pincher até hoje, ele tem 9 anos e dorme comigo todo os dias", diz Silvério. "Essa é a minha mágoa, principalmente com o juiz e com a polícia. Provei que ela [esposa] estava debilitada, e eu não ia deixar o cachorro mordê-la." E completa, ironizando: "Quando um cachorro invadir sua casa, você deixa ele matar seu cachorro, sua esposa, senão você vai ser condenado".

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