'Estou no governo porque me dá prazer', diz Nelson Jobim

'Estou no governo porque me dá prazer', diz Nelson Jobim

Atualizado: Terça-feira, 2 Agosto de 2011 as 10:27

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse nesta segunda-feira (1º), em São Paulo, durante entrevista ao programa "Roda Viva", na TV Cultura, que tem prazer no cargo e negou que esteja “pedindo para sair” do governo. Na semana passada, o ministro declarou em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo" que votou no então candidato José Serra, do PSDB, principal adversário da presidente Dilma Rousseff,  na eleição de 2010.

“Não, absolutamente não, tenho projetos para tocar. [..] Eu estou no governo porque me dá prazer”, disse o ministro. O programa foi gravado e irá ao ar na noite desta segunda.

Questionado se perdeu poder no governo atual, o ministro negou. “Absolutamente, continua a mesma coisa”, disse.

Jobim contou que reencontrou a presidente depois da declaração sobre o voto no Serra. Segundo informou o blog de Cristiana Lôbo na semana passada, a presidente Dilma Rousseff não gostou da declaração do ministro.

“Foi uma sessão formal, ela me cumprimentou”, afirmou. Segundo o ministro, ele tem uma relação ótima com a presidente.

“Já fui advogado, professor, deputado e tudo o que faço, faço com gosto. Sou ministro com prazer. Eu tenho desejo de continuar.”

Ele explicou que, durante a campanha de Dilma, conversou com o presidente Lula e disse que era amigo pessoal do candidato do PSDB, por isso “não tinha condições nenhuma de fazer campanha contra Serra”.

Na sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o ministro e disse que o voto é “uma coisa sagrada” e “cada pessoa vota do jeito que quer”.

Jobim também ocupou o Ministério da Defesa na administração de Lula, que disse tê-lo convidado para integrar o governo pelas suas qualidades e "competência".

Presidente licenciado do PMDB, partido de Jobim, o vice-presidente da República, Michel Temer, minimizou o episódio na semana passada. Segundo ele, a opção do ministro não irá abalar sua reputação. “É um quadro muito valioso no PMDB e faz um trabalho excelente no Ministério da Defesa. A franqueza dele não altera sua posição no governo.”

Ao final do programa, o ministro voltou a comentar sua permanência no governo. Ele disse não pensar na possibilidade de pedir demissão. “Nem penso nisso, inclusive me surpreendeu a reação que tenho visto na imprensa. Pessoalmente, não tenho conhecimento de nada”, disse.

Jobim acrescentou, no entanto, que a decisão sobre o cargo de ministro é sempre da presidente Dilma. “Evidentemente, há um projeto que eu sou entusiasta, que é a implantação de todo um modelo de defesa. Se puder continuar, tudo bem, se não puder continuar, tudo bem”, afirmou.

Ele reafirmou gostar do que faz. “Tenho prazer porque é um tema novo, que estou descobrindo.”

Ele também disse ter uma imagem “ótima” da presidente. “Ela é uma mulher extraordinária, tem uma capacidade de trabalho incrível, uma percepção de mundo muito forte e uma percepção do destino do Brasil, que é fundamental”, opinou.

Questionado ainda durante a gravação do programa o que faria se deixasse o cargo, Jobim respondeu que iria para onde a mulher, que irá se aposentar, decidisse.

Suposta fraude no Exército

O ministro também falou da reportagem publicada no jornal “Folha de S.Paulo” neste domingo (31) sobre uma investigação da Procuradoria-Geral de Justiça Militar sobre a suspeita de participação de generais, incluindo o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, em fraudes em obras.

“Eu não costumo adiantar juízos, vamos aguardar. Eu não vejo problema nenhum que sejam examinados os contratos feitos, mas eu pessoalmente não acredito que o general Enzo esteja envolvido nisso, não vejo nenhuma possibilidade nesse sentido”, afirmou Jobim.

Compra de caças

Jobim comentou sobre a escolha dos caças que vão ser comprados para a Força Aérea Brasileira (FAB). Em 2009, os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, emitiram comunicado conjunto em que anunciam a intenção da parte do governo brasileiro de entrar em negociação para aquisição de 36 caças GIE Rafale. Depois disso, o governo informou que ainda analisaria outros projetos.

O ex-presidente Lula deixou a decisão sobre compra de caças para a sucessora. “O processo da discussão em relação a essas questões é democrático, quem decide sobre esse assunto é o presidente da República”, disse Jobim nesta segunda-feira. Ele afirmou que o Ministério da Defesa fez um parecer sobre os aviões e que a presidente prometeu voltar ao tema oportunamente. “Eis que surge uma questão orçamentária. Logo, o tema foi adiado”, disse.

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