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Estudante baiano que sofreu bullying tentou se defender com faca

Estudante baiano que sofreu bullying tentou se defender com faca

Atualizado: Segunda-feira, 4 Julho de 2011 as 3:58

Um adolescente de 14 anos é o principal personagem de uma história que envolve perseguição e violência dentro de uma escola de Salvador. “Todo mundo dizia que lá era bom, mas é ruim. Não quero viver nunca mais naquela escola”, diz o estudante.

A escola, para onde o adolescente não pensa em voltar, é o tradicional Colégio Estadual Úrsula Catharino, com mais de 80 anos de fundação. Era lá que o adolescente cursava a quinta série do Ensino Fundamental. Vítima de agressão há pouco mais de dois meses, o estudante foi obrigado a deixar os estudos de lado.

Um relatório da escola, assinado pela vice-diretora Bianca Jezler Lima Conte, revela que o estudante era "bastante tímido e calado, com poucas amizades". Por isso, os "colegas da turma costumavam ter brincadeiras violentas com ele". Mas o que o relatório chama de brincadeiras, na verdade, eram sessões diárias de humilhação e espancamento, de acordo com o aluno.

As revelações são chocantes. Segundo o aluno, havia uma gangue formada por estudantes da quinta e da oitava série. No comando, um jovem de dezoito anos. O adolescente conta que o nome da gangue que o abordava é ‘Bamor’. “No caderno de todo mundo tinha escrito ‘Bamor’, menos no meu caderno”, conta. “Eles eram da torcida organizada e me deram muitos murros”, revela o estudante. Segundo o jovem, outros colegas apanhavam, e sempre, por motivo fútil. “Se alguém estivesse no recreio, ele (o líder da gangue) trazia para dentro da sala e batia. Sempre batia dentro da sala”, conta. A vítima conta ainda que, conversar com as meninas na escola e brincar na sala de aula não eram ações permitidas pela gangue.

A direção do colégio sabia das agressões, é o que indica o relatório. Segundo ele, a escola resolveu chamar os pais dos supostos agressores, que negaram as acusações dizendo tratar-se de brincadeiras.

O relatório indica ainda que as agressões começaram em fevereiro, início do ano letivo e só terminaram dois meses depois no dia 20 de abril. Nesse dia, a vítima foi encontrada portando uma faca dentro da mochila. Ele foi denunciado por um dos agressores e explicou que havia levado a faca a pedido de um colega de classe, que prometeu protege-lo dos colegas que costumavam agredi-lo. Só que para isso, a vítima teria que pagar por essa proteção. “Ele me pedia dinheiro todo dia”, conta a vítima.

A tia do estudante, que prefere não ser identificada, conta que diante da falta de providência, decidiu procurar a polícia. Ela disse ter sido convencida pelo diretor do colégio a assinar a transferência do sobrinho. “Eu assinei aquele relatório porque é duro você criar uma criança e ao mesmo tempo você a ver sendo hostilizada, sofrendo calada. Além disso é duro ver o diretor chegar para você e dizer que ele vai ser um futuro assassino”, explica a tia da vítima.

O diretor geral do colégio, Carlos Alberto Andrade da Silva, se defendeu das acusações. “Em momento algum chegou até a mim, que ele estava sofrendo aquelas agressões. O trabalho tinha que ser feito. Eu achava que não devia ser caso de polícia, eu achava que era mais caso de ordem médica do que polícia”.

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