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Estudantes protagonizam marcha contra o abuso sexual infantil

Estudantes protagonizam marcha contra o abuso sexual infantil

Atualizado: Quarta-feira, 19 Maio de 2010 as 2:33

Crianças e adolescentes protagonizaram nesta terça-feira, 18 de maio, uma marcha de conscientização contra o abuso sexual infantil que partiu da Igreja da Sé ao Vale do Anhangabaú, região central de SP. A mobilização ainda teve um show com apresentações das bandas Livres para Adorar, Storge 2 e Hevo 84. A iniciativa aconteceu no Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e a Exploração Sexual da Criança e do Adolescente. Cerca de 300 entidades e escolas públicas foram representadas por mais de dois mil estudantes.

A pedofilia, tema com grande exposição na mídia, não foi a abordagem principal do evento; mas sim a exploração sexual como um fenômeno social. As vítimas foram o foco do protesto. A psicóloga Lúcia Toledo, integrante da Comissão Municipal de Enfrentamento ao Abuso Sexual e representante do Conselho Regional de Psicologia, explica que a pedofilia indica, conforme classificação da OMS, uma parafilia - desvio de comportamento baseado no objeto de desejo sexual. Segundo ela, nem todos que abusam de crianças são pedófilos, ou seja, possuem a parafilia.

 "As pessoas acham que a exploração sexual é um fenômeno das cidades praieiras. Queremos mostrar que em São Paulo tem exploração sexual de criança e de adolescente de meninos e meninas. Temos uma tolerância muito grande da sociedade e precisamos minimizar essa tolerância de violência e violação dos direitos humanos das crianças e adolescentes", defendeu Lúcia.

Projeto social Tambores de Lá deu início a marcha em frente à 

Igreja da Sé, em SP.

Organizada pela ONG Makanudos de Javeh, com apoio da prefeitura paulistana, a marcha vai de acordo com o trabalho que é feito pela Comissão Parlamentar de Inquérido (CPI) na cidade de São Paulo voltado ao enfretamento do abuso sexual infantil.

"A gente propôs uma maneira inovadora de abordar o tema. A CPI do Senado, e outras que acontecem no país, têm um enfoque policialesco, nós fizemos um enfoque de intervenção social. Não adianta nada aumentar o número de denúncias, expor crianças e revitimizar crianças mostrando as suas fotos. Isso não adianta se não atacarmos a raiz do problema, que está nas famílias. Temos que prevenir e mais do que isso, olhar para a rede de proteção e ver que tipo de programa está sendo desenvolvido", afirmou ao GUIA-ME.com.br o vereador Carlos Bezerra Jr. (PSDB-SP), que marchou a frente das crianças e adolescentes e aderiu ao grito de protesto: "Está acontecendo agora". Segundo Bezerra, a cada oito minutos uma criança é abusada sexualmente.

O vereador Carlos Bezerra (PSDB-SP) integrou o coro

"está acontecendo agora", na Marcha Contra o Abuso Sexual Infantil.

 Símbolo da mobilização, a flor estampada nas camisetas dos organizadores representa as vítimas dos abusos sexuais alvo da campanha: as crianças que precisam de cuidado e proteção.   "A luta é de todos, não só de quem está sofrendo. É de quem tem que lutar por aquele que não consegue gritar", observou Vera Araújo, que participou do evento cantando a música Criança Esperança, de sua autoria, enquanto flores eram distribuídas entre o público jovem.

Presente na segunda edição do evento, Ricardo Montoro - Secretário Municipal de Participação e Parceria (SP) - destacou a quantidade de pessoas como sinal da importância da mobilização para as regiões do país que poderão reproduzir a iniciativa em que crianças e adolescentes são os protagonistas. "Eu arrisco dizer que nunca vi nada igual no Brasil. São Paulo mais uma vez sai na frente", disse.

"A nossa ideia foi protestar contra o que tem acontecido e mobilizar a nossa sociedade para dizer um basta, um chega nessa situação", afirmou Thiago Torres, presidente da Makanudos de Javeh.

"Estamos aqui para festejar a esperança", disse Juliano Son que,

junto com a banda Livres para Adorar, cantou a música "Dias Melhores",

do Jota Quest.

Dias Melhores

Consciente da exploração infantil por encabeçar o projeto Livre Ser - de apoio a crianças em situação de risco social -, o vocalista Juliano Son, da banda gospel Livres para Adorar, subiu no palco com o propósito de celebrar. "A nossa proposta é fazer com que essa galera perceba que acima de tudo estamos reunidos não por conta da dor, do choro e das injustiças, mas eu creio que existe algo muito maior por trás disso tudo. Estamos aqui para festejar a esperança. Esse ajuntamento é uma declaração de que há esperança, de que o amor ainda está no nosso meio. De que dá para sonharmos com dias melhores", afirmou o cantor ao GUIA-ME.com.br.

Acostumado a se apresentar em igrejas e eventos evangélicos, Juliano não deixou de expor na marcha contra o abuso sexual aquilo que move a banda. "Vamos usar sim esse tempo para falar do Senhor. A Palavra disse que tem tempo para todas as coisas, para o choro, alegria, tempo para plantar, colher, mas para a pregação do Evangelho é a tempo e a fora de tempo; é em todo momento", enfatizou o cantor que encontrou numa música do Jota Quest, "Dias Melhores", o vínculo com o público que não necessariamente era cristão.

Por Felipe Pinheiro

Fotos: Felipe Pinheiro

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