MENU

Estudo indica que 115 mil pessoas vivem em áreas de risco em SP

Estudo indica que 115 mil pessoas vivem em áreas de risco em SP

Atualizado: Segunda-feira, 17 Janeiro de 2011 as 8:56

Um levantamento inédito feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e pela Prefeitura de São Paulo aponta que 115 mil pessoas estão vivendo em situações de extremo perigo em 407 áreas da capital paulista. De acordo com o estudo sobre as áreas de risco, elas deveriam deixar suas casas imediatamente.

Os dados foram obtidos com exclusividade pela reportagem do Fantástico, que percorreu algumas das áreas em risco na cidade. A região com mais problemas é a Zona Sul, onde estão 43% das áreas de risco. São 12 mil moradias - 50 mil pessoas vivendo em lugares precários.

Na região conhecida como M´Boi Mirim, 4 mil casas estão ameaçadas e precisam ser desocupadas imediatamente. “O mais adequado é retirar todas essas famílias daí. “Se chover muito, vira um verdadeiro mar que acaba empurrando todas essas casas lá na bacia”, alerta o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Ronaldo Camargo, um dos responsáveis pelo estudo.

A Zona Norte é a segunda região com mais áreas de risco na cidade, com 107 trechos ameaçados pela chuva. Apenas na Freguesia do Ó, 2,1 mil famílias deveriam sair de suas casas. “Se ficar mais que uma duas horas, uma chuva de 120 mm, 160 mm, com certeza esse escorregamento leva essas casas”, avaliou o secretário Camargo.

“Não há expectativa de efetivamente traçarmos que em um ano consigamos retirar todos”, avisa Ronaldo Camargo.

Seriam necessários pelo menos cinco anos para retirar as pessoas dos locais de risco, segundo a Prefeitura. E com um trabalho extra: assegurar que essas áreas não voltem a ser povoadas e virem novamente locais de tragédias.

Grande SP

A cidade de Mauá, no ABC, também enfrenta grandes problemas. Cinco pessoas já morreram soterradas no município apenas em 2011. Paulo dos Santos, 16 anos, foi a quinta vítima das chuvas. “Os personagens mudam, o cenário é o mesmo. O cenário da tragédia, da tristeza”, diz a locutora de rádio Bel Maravilha.

O cenário é o Jardim Zaíra: uma enorme área particular, cheia de morros, ocupada irregularmente por 60 mil pessoas, em casas precárias. Bel vive no local há 28 anos.

Os moradores dizem que não têm condições de sair dali. “Uma pessoa chega hoje, compra do que esteve ontem, o outro do dia anterior e assim prossegue as pessoas vendendo um passaporte que chega a ser o passaporte da morte”, alerta a locutora.

“Os municípios, sejam cidades pequenas, médias ou grandes, precisam repensar urgentemente a questão do uso e ocupação do solo. Se ele tiver uma legislação, uma fiscalização rigorosa, ele vai dizer: ‘Meu senhor, sua casa vai estar localizada numa área de risco, há escorregamentos, portanto o senhor não vai construir a sua moradia ai’”, explica Jair Santoro, do Instituto Geológico de São Paulo.

veja também