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Estudo mostra que 150 prédios vazios no centro de SP podem servir de moradia

Estudo mostra que 150 prédios vazios no centro de SP podem servir de moradia

Atualizado: Segunda-feira, 19 Outubro de 2009 as 12

Uma das soluções para a falta de moradia na capital paulista pode estar no Centro de São Paulo. Um estudo inédito da Universidade de São Paulo (USP) revela que, apenas na região central da cidade, há mais de 150 prédios vazios que poderiam servir de moradia.

A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP ampliou a pesquisa dos prédios da capital paulista a pedido da Companhia Estadual de Habitação (Cohab). A faculdade fez um levantamento incluindo o Glicério, Brás, Pari, Santa Cecília, Liberdade, Bixiga e Cambuci.

O comerciante Ramon Henrique Junig se lembra da época em que um prédio ao lado da sua lanchonete era um hotel. Depois, o lugar se tornou um movimentado bingo. Agora, pichado, vazio, não tem nem portas. Elas foram emparedadas para evitar invasões.

"Noventa pessoas fumando crack, maconha, um monte de coisas. Eu pago segurança pra tirar eles. Aí eles vão ali pra frente, mas olha a sujeira que está", disse o comerciante.

Os pesquisadores descobriram que 90 prédios têm algum comércio no térreo, ou o estacionamento alugado. Mas ninguém usa os andares de cima. Outros 68 edifícios estão completamente vazios.

Dívidas

"Mais de 50% deles têm dívidas de IPTU, só que o que acontece: há uma certa tolerância ou a não execução judicial dessas dívidas", disse a pesquisadora Letícia Moreira. Ela explica que por lei as dívidas de IPTU podem ser pagas com a doação do imóvel para a prefeitura.

"A lei de 'dação em pagamento' é uma lei municipal que existe, que está regulamentada, que permitiria que esses imóveis fossem repassados pro poder público como pagamento das suas dívidas. Daí o poder público daria a função social pra essas propriedades, até destinando esses imóveis pra habitação popular", disse a pesquisadora

Prédio abandonado

Ainda na região central, um hotel fechou as portas por falta de hóspedes. Nenhum empresário teve interesse em comprá-lo, e agora o prédio está sendo desapropriado pela prefeitura.

?Nós pretendemos usar este edifício aqui pra locação social destinada a artistas da terceira idade", disse Ricardo Pereira Leite, presidente da Cohab.

Os quartos serão transformados em apartamentos. A prefeitura deve desapropriar outros 50 edifícios do centro com o mesmo potencial. "O total que a gente estima nesses 50 prédios é chegar em torno de 3 mil moradias", disse Pereira Leite.

A Companhia de Habitação de São Paulo (Cohab) também pretende transformar em prédio residencial outro imóvel que, durante dez anos, ficou ocupado por sem-teto. Os futuros moradores devem ser policiais.

"Esse uso atualmente em discussão é justamente pra fazer um projeto de moradia para servidores da segurança pública do estado, dando um novo uso ao imóvel e revitalizando, portanto, a área central", disse Eduardo Trani, chefe de gabinete da Secretaria de Estado da Habitação.

As ruínas de um prédio de 1918 foram transformadas em objetos de desejo que atrai novos hóspedes. Os 26 apartamentos, que custavam entre R$ 50 mil er$ 100 mil, foram vendidos em menos de seis meses.

Além de morar em um apartamento amplo, que mistura o moderno e o antigo, quem mora num lugar como esse tem outros privilégios como a vista, por exemplo. Nesse caso, cartões postais como o Edifício Martineli e a Torre do Banespa. Mas quem escolhe viver no centro tem que dividir o olhar com cenas que nenhum paulistano gostaria de ver ? como vandalismo, roubo e moradores de rua.

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