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Estudo mostra que empresas optam por remunerar por produção

Estudo mostra que empresas optam por remunerar por produção

Atualizado: Quinta-feira, 12 Maio de 2011 as 9:25

Remunerar o funcionário por produção e contratar aqueles com maior grau de escolaridade são práticas adotadas pelas empresas paranaenses. Estes são dois dos resultados obtidos por uma pesquisa realizada por uma consultoria empresarial, a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-PR) e Instituto Superior de Administração e Economia, representante da Fundação Getúlio Vargas no Paraná (Isae/FGV), em 128 empresas privadas e públicas atuantes no estado. Destas 60% estão em Curitiba.   A remuneração variável é aquela que tem como base a produtividade. De acordo com a pesquisa, 75% das empresas aderiram esta prática. No setor de serviço, ela é mais frequente sendo percebida, em média, em 20,2% das empresas. Na área industrial, a porcentagem cai para 14,0%.

Na avaliação de Sônia Gurgel, presidente da ABRH/PR, a medida é uma ferramenta eficaz na gestão de pessoas. “É uma oportunidade de reconhecer o desempenho do trabalhador, ao mesmo tempo em que o empresário tem uma relativa segurança de que ele não tá aumentando a folha significativamente”, complementou Gurgel. Segundo elas, as duas partes saem ganhando.

Avanço na tecnologia também exige profissionais mais qualificados, diz superintendente da ISAE/FGV (Foto: eprodução/Globo News)

  A remuneração variável é mais percebida no setor de serviço, porque neste nicho o hábito de se pagar comissões é muito presente. Mas a indústria vem adotando cada vez mais a medida, destacou a presidente da ABRH/PR.

Agora, para alcançar postos de trabalho mais complexos e com maior salário, a capacitação profissional é indispensável. A pesquisa mostra que no Paraná, as empresas valorizam quem tem pós-graduação. Gurgel explicou que em muitas empresas, por falta de uma estrutura para gestão de pessoas, os currículos caem em uma ‘vala comum’ e na hora de selecionar o profissional, uma especialização pode desempatar.

Ainda nas profissões que exigem um baixo grau de escolaridade, percebe-se, de acordo com Sônia Gurgel, um aumento das exigências. “Hoje, para uma vaga de zelador, por exemplo, é preciso saber ler e escrever, o que antes não era cobrado”, destacou.

Os níveis mais baixos de escolaridades estão na área agroindustrial, onde 8,3% dos trabalhadores não possuem Ensino Fundamental. Por outro lado, na área de saúde estão os profissionais mais qualificados. Apenas 1,3% dos quadros não concluíam a primeira fase do sistema educacional.

Cursando a quarta especialização, a farmacêutica Liliana acredita na capacitação como forma de ampliar a área de atuação (Foto: Arquivo Pessoal )

  Liliana Vianna, 31 anos, é farmacêutica e cursa a quarta especialização. Ela tem pós-graduação em Gestão e Tecnologia em Cosméticos, em Administração de Empresas, MBA em Gestão Comercial, e agora é aluna do MBA em Comércio Exterior. Em entrevista ao G1 , a farmacêutica afirmou que buscar um MBA não é apenas buscar melhor remuneração. Para ela é preciso melhorar os conhecimentos adquiridos e buscar atualização. Liliana viu na capacitação uma possibilidade de ampliar as áreas em que poderia atuar. “Eu vi que o mercado na área de farmácia estava complicado no Paraná, então, eu preferi fazer um pós a cursar outra graduação”, contou a farmacêutica.

Esta é uma situação interessante, declarou Norman Arruda Filho, superintendente do Isae/FGV. Segundo o superintendente, as taxas promissoras de crescimento do Brasil e a evolução da tecnologia exigem novos níveis de competência. Norman Filho acrescentou o volume de profissionais capacitados está abaixo do necessário. “Isso é muito sério. Nós não temos quem fala inglês”, refletiu. Para ele, não há dúvidas de que a qualificação faz a diferença no mercado de trabalho.

A pesquisa foi realizada em 2009, mas os resultados foram divulgados nesta quinta-feira (12), e traz dados também sobre a rotatividade dos profissionais nas empresas que é mensurado a partir da quantidade de pessoas que admitidas e demitidas da empresa, em um determinado período. A rotatividade média anual das empresas da amostra foi de 35,5%. O número é reflexo da crise econômica de 2008, que faz com que as empresas reduzissem custos. De acordo com a pesquisa, no setor de serviço a rotatividade média é de 44,3% e no industrial, 26,9%.

A pesquisa também levantou dados sobre faltas, quantidade de horas extras pagas, Grau de terceirização, índice de treinamento, equidade de gênero, Taxa de Frequência de Acidentes com Afastamento, e número de pessoas que permanecem na empresa após os 90 dias de experiência, previstos na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).        

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