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'Eu me sinto culpada', diz namorada de homem que teve orelha cortada

'Eu me sinto culpada', diz namorada de homem que teve orelha cortada

Atualizado: Quarta-feira, 20 Julho de 2011 as 8:29

Do G1 SP imprimir

Polícia prendeu suspeito de participar da briga que

deixou homem sem parte da orelha

(Foto: Juliana Cardilli/G1)

  A bióloga Edileide Cristina da Costa, de 27 anos, disse que, em alguns momentos, se sente culpada por ter deixado o namorado sozinho minutos antes de ele ser agredido por um grupo homofóbico e ter parte da orelha decepada em uma festa do interior paulista há quatro dias. “É uma situação pela qual nunca pensei em passar”, disse ela, em entrevista ao G1 , nesta terça (19).     O autônomo de 42 anos, com quem a bióloga mantém um relacionamento há cinco anos, foi agredido durante uma festa agropecuária em São João da Boa Vista, distante 216 km de São Paulo, na madrugada de sexta-feira (15). O homem estava abraçado a seu filho de 18 anos quando um grupo os abordou e perguntou se eles eram gays. Mesmo diante da negativa, os dois foram atacados.

O crime ocorreu quando Edileide e a namorada do filho da vítima tinham ido ao banheiro. “Às vezes, me sinto culpada. Se eu não tivesse ido ao banheiro, isso não teria acontecido. Mas aí ele diz: ‘Não, Di. Nada a ver’”, disse a moça, acrescentando que o casal queria ir à festa para assistir aos shows. Além disso, o namorado aproveitou que o filho estava na cidade para passear com ele. O jovem mora no ABC.

Na terça, a polícia prendeu em São João da Boa Vista um suspeito de participar da briga. Ele foi liberado, após a Justiça negar o pedido de prisão temporária. Outros dois homens que podem ter agredido o autônomo foram identificados.

Edileide contou que só soube da confusão quando voltou do banheiro. Viu o autônomo sem parte da orelha e coberto de sangue. “Fiquei tão nervosa que não enxergava os números do celular para ligar para meu irmão, que estava na festa. Entrei em desespero, comecei a chorar."

Câmeras

A Polícia Civil investiga se câmeras de segurança instaladas na festa agropecuária registraram o momento da agressão. Segundo o delegado Fernando Zucarelli, do 1º Distrito Policial de São João da Boa Vista, além da agressão, os criminosos poderão responder por discriminação. As vítimas disseram não conhecer os suspeitos.

Não foi possível reimplantar o pedaço retirado, o que deixa a bióloga preocupada. De acordo com ela, o namorado já buscou opinião de cinco cirurgiões plásticos. “Ele é muito vaidoso. Está psicologicamente abalado”, contou Edileide, que tem um filho de 10 meses com a vítima. A partir de agora, para ela, a rotina do casal vai mudar. “A gente nem sai muito por causa do bebê. Agora, nem vai mais sair.”

A namorada do autônomo criticou qualquer atitude contra gays. “Foi um absurdo. Sou totalmente contra homofóbicos. Eles agridem pessoas inocentes.” Edileide reclamou do socorro prestado ao namorado. A vítima acabou sendo levada ao hospital no carro de um amigo.          

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