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Ex-policial civil de SP é suspeito de fornecer armas ilegais

Ex-policial civil de SP é suspeito de fornecer armas ilegais

Atualizado: Quinta-feira, 1 Abril de 2010 as 12

Investigações feitas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro revelam que um ex-policial civil de São Paulo identificado como Chicão, que responde processos por furto e extorsão mediante sequestro, é um dos principais fornecedores de armas para a facção criminosa que controla as favelas da Rocinha, na zona sul, e São Carlos, no Estácio, na zona central.

Os policiais, por meio de interceptações telefônicas com autorização da Justiça, descobriram que Chicão costuma negociar armas com um homem de nome Daniel que atua em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Em um dos processos que responde na Justiça paulista, o ex-policial é acusado de integrar um grupo que sequestrou um suspeito de tráfico de drogas e, pelo resgate, cobrou R$ 30 mil.

Nesta quarta-feira (31), o Ministério Público Estadual denunciou 19 suspeitos de integrarem o tráfico nas favelas da Rocinha, São Carlos, Macacos, em Vila Isabel, e Pedreira, em Costa Barros, ambas na zona norte. Entre os denunciados, está o traficante conhecido como Nem, que comanda a venda de drogas na Rocinha.

Segundo a denúncia, a quadrilha lavou o dinheiro obtido no tráfico de drogas na aquisição de uma casa lotérica, uma distribuidora de gelo, dois bares, uma gráfica uma loja que vende acessórios de veículos, outra de informática e uma de venda de jornais e revistas.

Pelo menos três dos denunciados eram laranjas. Um deles, inclusive, emprestava folhas de cheque de sua conta bancária para serem usados para negócios ilegais do grupo.

Informa ainda que, em uma contabilidade encontrada na Rocinha no início de março, há anotações em que os traficantes gastaram cerca de R$ 500 mil na compra de armamento e munição. Em uma das escutas telefônicas, dois criminosos combinavam o repasse de dez carregadores de fuzis.

A denúncia revela que uma mulher de nome Adriana é a responsável pelo transporte de drogas entre as favelas da facção e vai de uma comunidade até outra usando um táxi. E que traficantes usam um campo de futebol na Rocinha para a realização de eventos e partidas, além de alugarem brinquedos em valores altíssimos para festas.

Homem de Beira-Mar

As investigações indicam ainda que um dos integrantes da quadrilha, conhecido como Feijão, é remanescente do bando do traficante Fernandinho Beira-Mar, que está preso na penitenciária federal de Campo Grande (MS). Apontado como tesoureiro do bando e proprietário de uma carteira de assessor parlamentar, ele trabalhou para Beira-Mar quando este tinha na Rocinha uma base de distribuição de cocaína colombiana para outras favelas.

Por Mario Hugo Monken

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