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Exército mapeia Região Serrana do RJ e mostra mudanças após tragédia

Exército mapeia Região Serrana do RJ e mostra mudanças após tragédia

Atualizado: Domingo, 23 Janeiro de 2011 as 9:08

A devastação causada pelas tempestades que atingiram a Região Serrana na semana passada foi tão violenta que provocou uma mudança na geografia de toda aquela área. Engenheiros do Exército usaram tecnologia avançada para redesenhar o curso de rios e avaliar o que aconteceu com os morros após os deslizamentos.

O trabalho vai ajudar na identificação dos pontos críticos, para agilizar a solução dos problemas.

Os novos contornos da cidade de Teresópolis foram filmados e fotografados durante um sobrevoo de helicóptero feito por especialistas do Instituto Militar de Engenharia (IME).

“Tiramos mais de 4 mil fotografias, do alto, filmamos. Rios mudaram de curso, ruas viraram tapas de lama, morros parecem que foram cortados com uma faca, e aquela fatia desabando por cima de tudo que tiver na frente. No nosso voo nós não vimos coisas bonitas, vimos destruição. Parece que explodiu uma bomba”, atestou o major do IME Jacy Montenegro.

Nos vales mais profundos, o trabalho foi feito com a ajuda de aeromodelo, equipado com três câmeras e aparelhos de GPS. O veículo aéreo não tripulado tem três metros de envergadura e foi desenvolvido pelos alunos do IME. E as imagens captadas foram sobrepostas as que já existiam antes do temporal.

O novo mapeamento da Região Serrana será importante para as equipes que ainda trabalham no resgate das vítimas, para mostrar o melhor acesso à áreas ainda isoladas e, principalmente, para orientar a reconstrução das cidades e indicar os locais que podem ser ocupados. “Não construiríamos casas onde surgiu um rio.

Não construiríamos casas de novo onde o morro desabou. Essas áreas são áreas que a natureza escolheu para ser o curso alternativo da água. Nós não mandamos na natureza”, afirmou o major Montenegro.

Leptospirose

A Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro confirmou na noite deste sábado (22) três casos de leptospirose na Região Serrana após a tragédia que deixou mais de 790 mortos. De acordo com a assessoria da secretaria, o órgão foi notificado a respeito de dois casos em Nova Friburgo e um em Teresópolis. Os nomes dos pacientes não foram divulgados e não há informações sobre o quadro de saúde deles.

De acordo com a prefeitura de Nova Friburgo, a Secretaria de Saúde do município confirma os dois casos de leptospirose na cidade, mas informa que os registros são anteriores às chuvas que devastaram a região na semana passada.

Já a Secretaria de Saúde de Teresópolis confirmou três casos notificados, sendo dois já descartados e um sob suspeita de leptospirose, que ainda aguarda os resultados de avaliação médica.

791 mortes

De acordo com as prefeituras das cidades, o número de corpos resgatados chega a 791. Pelos últimos levantamentos dos municípios, ao todo são 388 em Nova Friburgo, 309 em Teresópolis, 65 em Petrópolis, 22 em Sumidouro, 6 em São José do Vale do Rio Preto e 1 em Bom Jardim. Já o Ministério Público informa que ainda há 417 pessoas desaparecidas na Região Serrana.

Especialistas analisam solo em Friburgo

Na sexta-feira (21), um grupo de geotécnicos foi a Nova Friburgo para analisar o solo da cidade. Segundo a prefeitura, os profissionais analisaram as mudanças ocorridas no relevo da região, alterado pela enxurrada que levou para o centro de alguns bairros pedras de mais de 10 toneladas e desviou cursos de córregos e rios.

O mapeamento detalhado de áreas de risco é apontado como um dos maiores desafios para construir um sistema nacional que possa fazer alertas antes de catástrofes naturais. Segundo o pesquisador Carlos Nobre, responsável pelo projeto desse sitema dentro do Ministério da Ciência e Tecnologia, é necessário que geólogos visitem esses locais para saber onde há perigo de enchentes e deslizamentos quando houver tempestades.  

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